Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Cachorro com Linguiça’ Category

6Há exatamente dez anos, o Corinthians iniciava sua saga para a conquista do Mundial de Clubes da FIFA, o primeiro da história. Há muita polêmica em torno do título. Uns dizem que não é correto alguém participar de um mundial sem antes vencer seu continente, etc. O fato é, porém, que o Corinthians entrou na competição por ser o campeão do país sede, assim como os países organizadores de Copas do Mundo entram automaticamente no torneio.

O Mundial estava planejado para ocorrer em 1999, por isso entraram no torneio os campeões da Libertadores e do Brasileiro de 1998, Vasco e Corinthians, respectivamente. Além deles, participaram os campeões da Champions League de 1998/99, Manchester United, da Copa Intercontinental de 1998, o Real Madrid e os campeões da Oceania, Ásia, CAF e CONCACAF, South Melbourne, Al Nassr, Raja Casablanca e Necaxa, respectivamente. Os times foram divididos em dois grupos, um com sede em São Paulo e um no Rio de Janeiro. No grupo da capital paulista ficaram Corinthians, Real Madrid, Raja Casablanca e Al Nassr e os clubes restantes foram para a Cidade Maravilhosa.

A participação do Corinthians se iniciou há exatos dez anos, no dia 5 de janeiro de 2000, apenas 14 dias após o time ter se sagrado bicampeão brasileiro. O primeiro jogo foi contra o Raja Casablanca, do Marrocos, e o Timão venceu por 2 a 0, gols de Luizão, aos 4, e Fabio Luciano, aos 19 do segundo tempo. No segundo gol, a bola não ultrapassou a linha, mas o árbitro italiano validou o gol e esse foi o resultado final da partida.

Dida defende o pênalti batido por Gilberto

O jogo seguinte era, sem dúvidas, o jogo mais importante e esperado da fase classificatória. O adversário era o poderoso Real Madrid, que contava com grandes craques, como Raúl, Casillas, Sávio, Roberto Carlos, Anelka, Hierro, Redondo, Eto’o, entre outros. Toda a expectativa foi recompensada na hora em que o árbitro apitou. Logo aos 20 minutos, Roberto Carlos bateu falta com força e o atacante Anelka desviu levemente de calcanhar, matando as chances de Dida chegar na bola. Porém, o Corinthians tinha Edílson. Karembeu, volante do Real, havia dito antes do jogo que não conhecia o Capetinha e com certeza se arrependeu aos 29 minutos, quando o camisa 10 do Corinthians recebeu de Luizão e bateu firme, no cantinho de Casillas. O arrependimento mais viria no segundo tempo, aos 18 minutos, quando o mesmo Edílson recebeu em velocidade e colocou a bola por entre as pernas de Karembeu e fez o segundo do Timão. Entretanto, aos 26, Anelka recebeu a bola, deu um drible de corpo lindo em Dida e empatou o jogo. Antes do fim do jogo, o mesmo Anelka teve a chance de desempatar o jogo, em cobrança de pênalti, mas Dida defendeu e o jogo ficou em 2 a 2.

Edílson coloca a bola por entre as pernas de Karembeu, do Real Madrid

No último jogo da primeira fase, o Corinthians tinha a obrigação de vencer por dois gols o Al Nassr, já que o Real Madrid tinha melhor saldo de gols. E foi isso que o time alvinegro fez.  Diante de mais de 30 mil pessoas no Morumbi, Ricardinho repetiu Edílson e colocou a bola por entre as pernas do zagueiro do time asiático e bateu de pé esquerdo, abrindo o placar aos 24 minutos. Depois disso, o Coringão continuou pressionando, em busca do segundo gol, mas a bola parou na trave e no goleiro. O gol da classificação corintiana só saiu aos 36 do segundo tempo, quando Freddy Rincón, capitão do time, recebeu de Luizão e bateu forte cruzado, marcando um belo gol e classificando o time para a final.

Rincón levanta a taça do título mundial

A partida final do Mundial aconteceu no Rio de Janeiro, estádio do Maracanã, contra o campeão do outro grupo, o Vasco da Gama. Todos os ingressos da torcida corintiana foram vendidos e mais de 20 mil torcedores do Timão estiveram presentes naquela noite de 14 de janeiro. O jogo foi muito movimentado, mas com muita marcação e poucas chances claras de gol. Nenhum gol saiu nos primeiros 90 minutos e o jogo foi para a prorrogação, mas o placar permaneceu o mesmo. A decisão foi, então, para a disputa de pênaltis. Os batedores pelo Corinthians foram Rincón, Fernando Baiano, Luizão, Edu e Marcelinho, e só o último errou sua cobrança. Entretanto, dois batedores vascaínos perderam, Gilberto teve sua cobrança defendida por Dida e Edmundo bateu o pênalti decisivo por cima da meta.

Após a cobrança de Edmundo, os corintianos de todo mundo podiam gritar e gritaram com todas as suas forças: “Eu sou Campeão do Mundo”. A partir daquele dia, o mundo era oficialmente alvinegro.

Ficha técnica da final:

Vasco da Gama 0 x 0 Corinthians

Local: Estádio do Maracanã

Horarário: 20h00

Data: 14 de janeiro de 2000

Público: 73 mil presentes

VASCO: Hélton, Paulo Miranda, Odvan, Mauro Galvão e Felipe (Alex Oliveira); Amaral, Juninho Pernambucano (Viola), Ramon (Donizete) e Gilberto; Romário e Edmundo. Técnico: Antonio Lopes

CORINTHIANS: Dida, Índio, Adílson, Fábio Luciano e Kléber; Rincón, Vampeta (Gilmar Fubá), Ricardinho (Edu) e Marcelinho; Edílson (Fernando Baiano) e Luizão. Técnico: Oswaldo de Oliveira

Elenco do Corinthians no Mundial:

1 – Dida, 2 – Índio, 3 – Adílson, 4 – João Carlos, 5 – Vampeta, 6 – Kléber, 7 – Marcelinho, 8 – Rincón, 9 – Luizão, 10 – Edílson, 11 – Ricardinho, 12 – Maurício, 13 – Daniel, 14 – Márcio Costa, 15 – Yamada, 16 – Fábio Luciano, 17 – Fernando Baiano, 18 – Dinei, 19 – Augusto, 20 – Edu, 21 – Marcos Senna, 22 – Luís Mário, 23 – Gilmar Fubá

Anúncios

Read Full Post »

São paulinos, palmeirenses e atleticanos, por favor, não deixem de ler esta coluna pelo título dela. Não estou querendo dizer que o Fla seja campeão, e nem torcendo por ele aqui. Porém, não se pode deixar passar a data de 17 de novembro. No dia de hoje, completam-se 114 anos da fundação do Clube de Regatas do Flamengo. A data oficial de fundação foi, depois, alterada para o dia 15 de novembro, para ficar junto com a Proclamação da República e o aniversário do clube ser comemorado em um feriado nacional.

O clube foi fundado no ano de 1895, por um grupo de amigos da praia mais movimentada do Rio de Janeiro, a praia que, hoje, tem mais fama por levar o nome do time com a maior torcida do Brasil. Como era comum na época, o clube não foi fundado para participar de campeonatos de futebol. A paixão naquele final de século era o remo. Principalmente em uma cidade praina, como é a Cidade Maravilhosa.

O futebol no Flamengo só teve início em 1911. O esporte bretão já havia virado febre no país antes, e os torcedores flamenguistas de regatas iam assistir às partidas do rival Fluminense. Entretanto, após alguns desentendimentos, jogadores do Flu foram ao Flamengo e o clube decidiu começar um departamento de esportes terrestres, começando assim, a saga do futebol no Mengão. Logo na primeira partida oficial do rubro negro, o time venceu e convenceu. Uma goleada por 16 a 2 sobre o Mangueira. Não havia como começar melhor a história flamenguista no futebol.

Depois de muitos anos de história, glórias e títulos, o grande momento da história do time das multidões foi na década de 80. Naqueles anos, o time contou com o maior ídolo de sua história, o Galinho Zico. Em uma década, o time conseguiu um recorde de conquistar quatro títulos nacionais em dez anos, feito que ninguém quebrou ainda. O mais próximo disto é o São Paulo que, caso seja campeão este ano, igualará o rubro negro. Além disso, o clube venceu, em sua primeira participação, a Taça Libertadores da América e já se sagrou campeão mundial no mesmo ano.

Além de Zico, outros grandes craques passaram pelo Flamengo ao longo de seus 144 anos. Destaque para Romário, Paulo César “Caju”, Gérson, Fio Maravilha, Bebeto, entre muitos outros.

Atualmente, os grandes craques da equipe e ídolos da torcida são o meio campista sérvio Petkovic e o atacante Adriano. Com os dois, o Fla busca neste ano o título brasileiro, feito que não consegue desde 1992. Entretanto, vencendo ou perdendo, o Flamengo sempre será um dos clubes mais importantes do Brasil.

Read Full Post »

6

Dezessete de novembro de 2006 foi, para os húngaros fanáticos por futebol, um dos dias mais tristes da história. Naquela madrugada, faleceu, vítima de Alzheimer, o maior esportista húngaro do século XX, o atacante Ferenc Puskas.

O Major Galopante com a camisa do Honved

O Major nasceu no dia 2 de abril de 1927 e começou sua carreira comoprofissional com apenas 12 anos, atuando pelo Kispest, time de Budapeste, sua cidade natal. Como jogar com aquela idade era proibido, ele atuou com um nome falso, indicado pelo seu pai, o treinador do time. Ele passou a atuar como Puskas aos 16 anos, quando se tornou titular da equipe. Em pouco tempo, foi convocado para a Seleção Húngara, aos 18 anos. Um ano depois, aos 19, se tornou capitão do Kispest.

O time do atacante foi, em 1948, nomeado o time do exército húngaro, e mudou de nome para Honved. Ferenc se tornou Major do exército, daí seu apelido de Major Galopante. Como Honved, o time venceu a liga da Hungria em cinco oportunidades, tendo Puskas como artilheiro em quatro delas. No total, por Honved e Kispest, o Major atuou em 341 jogos, marcando impresionantes 352 gols.

O atacante, baixo e gordo, não era nem um pouco intimidador, mas quando levava a bola para sua perna boa, a chamada “esquerda de ouro”, era muito difícil de ser parado. Essas características que o levaram para o Real Madrid, em 1958, mas antes, muito aconteceu na carreira de Puskas.

Em 1956, o time de Honved, depois de ser eliminado pelo Athletic Bilbao da Liga Europeia, viu a revolução explodir em seu país e, por isso, decidiu fazer um tour pela Europa Ocidental e América do Sul. A FIFA proibiu a equipe de o fazer, mas o time foi assim mesmo. Ao fim do tour, em 1956, muitos jogadores decidiram ficar pela Europa Ocidental, e procurar uma equipe por lá. Puskas foi um deles e, por isso, foi suspenso pela UEFA por dois anos, quando não pôde atuar oficialmente.

Puskas com a taça da Champions League, com a camisa do Real Madrid

Ao fim dos dois anos de punição, já aos 31 anos, muitos acharam que ele nunca encontraria uma grande equipe, por estar fora de forma. Depois de tentativas frustradas de assinar com Manchester United, Juventus e Milan, Ferenc acabou assinando contrato com o poderoso Real Madrid, onde, aos 31 anos, faria dupla de muito sucesso com o grande Alfredo Di Stéfano.

Pelo time merengue, Puskas conquistou cinco Campeonatos Espanhóis e três Champions League, em oito anos de clube. Quase sempre como artilheiro, tendo sido o goleador máximo de duas Ligas dos Campeões e quatro Espanhóis, somando 157 gols em 182 jogos pelo Real. Suas grandes atuações o levaram a disputar a Copa de 1962, no Chile, pela Seleção Espanhola, mas o Major atuou apenas quatro vezes pela Fúria e não marcou nenhum gol.

O grande destaque do atacante foi, porém, pela Seleção Húngara, onde formou, com seus companheiros de Honved, a melhor seleção da história do país, os chamados Magiares Mágicos. O time iniciou sua “magia” nas Olimpíadas de 1952, quando o time venceu o torneio, com Puskas marcando quatro gols, sendo um deles na final. Um dos feitos mais marcantes dos Magiares foi a vitória por 6 a 3 contra a Inglaterra, em pleno estádio de Wembley, feito que nenhum time não-britânico tinha conseguido até aquele ponto.

Em 1954, na Copa, a equipe húngara foi arrasadora até as finais. Venceu Coréia do Sul (9 a 0), Alemanha Ocidental (8 a 3) e Brasil (4 a 2). Os Magiares chegaram a final como favoritos incontestáveis, mesmo com Puskas machucado e atuando no sacrifício. O Major Galopante marcou logo aos seis minutos, e viu seu companheiro aumentar o placar apenas quatro minutos depois, praticamente matando o jogo. Entretanto, tirando forças do além, virou o jogo, que é, até hoje, conhecido por eles como “Das Wunder von Bern”, ou o “Milagre de Berna”.

Puskas foi, sem dúvidas, o maior jogador da história da Húngria, e um dos melhores da História do Futebol. Na carreira, foram 593 gols em 612 jogos.

Perfil:

Nome Completo: Ferenc Purczeld (Nome de nascimento, seu pai mudou o nome da família alguns anos depois)
Nascimento: 2 de abril de 1927, em Budapeste, Hungria
Falecimento: 17 de novembro de 2006
Apelidos: Major Galopante, Öcsi (irmão mais novo, em húngaro)
Clubes: Kispest/Honved (1943-1956) e Real Madrid (1958-1966)
Títulos: 5 Ligas Húngaras
5 Ligas Espanholas
Campeão Olímpico
3 Copas dos Campeões
1 Mundial Interclubes

Read Full Post »

6Acredito quem 99% das pessoas que lerem esta coluna não saberão responder quando eu perguntar quem foi Alberto Spencer. Acredito, também, que caso alguém saiba, o conheça por um feito em especial e é exatamente por isso que ele será o tema da coluna de hoje. Falecido em 3 de novembro de 2006, Alberto Spencer, o “Cabeza Mágica”, foi centroavante do Peñarol, poderoso time uruguaio, que já conquistou cinco vezes a Taça Libertadores da América e três vezes a Taça Intercontinental, ou Copa Toyota.

Obviamente, porém, muitos jogadores já vestiram a camisa amarela e preta do Peñarol e nem por isso são lembrados, mas Spencer merece uma atenção especial. O “Cabeza Mágica” é o maior artilheiro da história das Copas Libertadores, tendo marcado 54 gols na competição, a maioria com a camisa do Peñarol.

O atacante começou sua carreira cedo, com apenas 15 anos, no Everest, do Equador, em 1953. Entretanto, o pulo na sua carreira ocorreu quando ele disputou uma única partida pelo Barcelona de Guayaquil, justamente contra os Mirasoles. Um dos diretores do time uruguaio foi falar com o “Cabeza” logo após a partida e conseguiu contratá-lo, em 1960.

Na equipe uruguaia, ele disputou nada menos do que 510 partidas, marcando incríveis 326 gols, o que o dá uma média de praticamente dois gols a cada três partidas. Pelos Carboneros, ele conquistou as Libertadores de 1960, 1961 e 1966. Nos torneios intercontinentais, ele venceu dois, contra Benfica e Real Madrid, perdendo apenas um, para o mesmo Real Madrid, em 1960. Nestas três oportunidades, ele somou seis gols, um a menos do que tem  Pelé, maior artilheiro do torneio. Além disso, o “Cabeza Mágica” conquistou oito títulos uruguaios pelo Peñarol, sendo artilheiro em quatro destes.

Graças às suas grandes atuações pelo time amarelo e preto, Cabeza chegou a ser sondado por diversos clubes da Europa, o que chegou mais próximo de contratá-lo foi a Internazionale de Milão, que tentou levar o jogador para a Itália em duas oportunidades, mas ele acabou ficando em território sulamericano. Em 1970, ele se despediu do Peñarol e foi para o Barcelona de Guayaquil, onde atuou durante dois anos, antes de acabar a carreira.

Outro fato interessante sobre a vida esportiva de Spencer é que ele é um dos únicos atletas a terem disputado jogos oficiais de Seleções por dois países diferentes. Durante diversos anos, ele alternou jogos pelo Uruguai, país onde teve mais sucesso, e Equador, seu país de origem. Alberto quase foi, também, jogar pela Seleção Inglesa, graças ao seu sobrenome britânico, mas acabou ficando no Uruguai e marcou um gol contra os ingleses em Wembley, sendo o primeiro equatoriano a conseguir tal feito.

Além de ser o maior artilheiro da Libertadores, Alberto Spencer é considerado o melhor jogador da história do Equador, tendo ficado em vigésimo na eleição dos melhores jogadores sulamericanos do século XX.

Alberto era, dentro de campo, um rival de Pelé, pelo fato de os dois marcarem muitos gols e de o Peñarol ter batido o Santos uma vez por 5 a 0, com Pelé em campo e pedindo para Spencer e seus companheiros maneirarem. Em uma entrevista, o Rei do Futebol chegou a dizer que um dos poucos jogadores que cabeceavam melhor que ele era o “Cabeza Mágica”.

Alberto faleceu em Cleveland, nos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2006, vítima de uma doença cardíaca.

Read Full Post »

6Há exatos cinco anos, um evento comoveu o mundo do esporte. Na noite do dia 27 de outubro de 2004, em pleno estádio do Morumbi, em São Paulo, morreu o zagueiro e volante do São Caetano Paulo Sérgio de Oliveira Silva, ou simplesmente Serginho. O jogador sofreu, em campo, uma parada cardiorrespiratória, caiu na frente do atacante Grafite e foi atendido, mas os médicos não conseguiram salvá-lo.

Momento em que Serginho caiu no campo

O lance ocorreu aos 14 minutos do segundo tempo, quando o placar marcava zero a zero. Entretanto, o resultado daquela partida é o menos importante. Todos os jogadores em campo ficaram perplexos com a cena e chocados. O jogo foi paralizado e continuou apenas alguns dias depois, com um clima triste, principalmente por parte dos atletas do São Caetano, que perderam um colega.

O acontecimento trouxe à tona no futebol brasileiro a discussão sobre cuidados com a saúde dos jogadores além daquilo que era a principal preocupação dos preparadores físicos e treinadores, que sempre pensam principalmente na parte de velocidade, resistência, mas, em alguns casos, esquecem da parte cardíaca, por exemplo.

O caso do atleta do São Caetano causou diversos problemas ao clube, já que o presidente do clube, Nairo Ferreira de Souza e o médico responsável, Paulo Forte, já sabiam da situação do jogador, que sofria de miocardiopatia, o que significa que ele vivia com um risco de arritmia ou sofrer uma morte súbita. Com isso, o clube foi penalizado com a perda de 24 pontos no campeonato, o que acabou com as chances do clube de brigar por uma vaga na Taça Libertadores e foi o pontapé inicial para a decadência do clube, que está atualmente na Série B.

Além disso, o médico e o presidente foram considerados culpados pelo STJD no caso do atleta e por isso foram afastados do futebol por quatro anos e dois anos, respectivamente.

Jogadores de São Caetano e São Paulo rezam juntos antes da continuação da partida

Graças à tragédia com o zagueiro, outras equipes abriram os olhos para a situação e apenas em 2004 dois clubes afastaram jogadores dos gramados para que estes se tratassem de doeñças de coração. Este é o caso de Bebeto Campos, ex-Paysandu e de Emerson, ex-Grêmio. Além deles, outro caso famoso é de Filipe Alvim, que largou os gramados após uma passagem pelo Corinthians, alguns anos depois.

Infelizmente, um caso tão triste e sério foi o que foi necessário para que muitas pessoas caíssem na realidade e passassem a cuidar dos atletas da maneira correta.

Read Full Post »

6No dia 21 de outubro de 1967, poucos meses antes da morte de Martin Luther King Jr., nascia um negro revolucionário. Não estou falando de Barack Obama, que nasceu em 1961, muito menos de Malcolm X, nascido em 1925, assassinado antes mesmo do nascimento de Paul Ince, o primeiro negro a usar a braçadeira de capitão da Seleção Inglesa.

Paul Ince atuando pelo Manchester

Paul Ince começou sua carreira no futebol quando foi visto por um treinador do West Ham, John Lyall, quando tinha apenas 12 anos de idade. O treinador foi quem o ajudou com problemas na escola e depois o levou para jogar pelos “Hammers“, time do coração de Ince. O jogador atuou no West Ham durante as categorias de base. Ele foi integrado ao elenco principal do clube em 1984, mas atuou profissionalmente apenas em 1986.

Ele se tornou titular apenas na temporada de 1988-89, quando chegou, inclusive, à Seleção sub-21 da Inglaterra. O atleta se destacou ao marcar dois gols na vitória contra o Liverpool, que era o atual campeão. Entretanto, o clube foi rebaixado e John Lyall, treinador, acabou sendo demitido. Paul atuou em apenas uma partida da segunda divisão e se transferiu para o Manchester United, clube onde mais se destacou.

Sempre raçudo, Ince sangra no manto inglês

No clube de Manchester, ele atuou 206 vezes, marcando 25 gols, sendo o clube pelo qual mais atuou na carreira. Graças às suas boas atuações, foi convocado para a Seleção Inglesa principal em 1992 pela primeira vez. Pouco tempo depois, Ince foi capitão da Seleção em uma partida contra os Estados Unidos, em território yankee, em uma derrota por 2 a 0.

Comemorando gol pela Inglaterra

No Manchester, Paul Ince conquistou dois títulos ingleses, em 92/93 e 93/94. Em 1995, o atleta foi vendido para a Internazionale de Milão, depois de muitas brigas com o treinador Alex Ferguson. Jogou na Itália até 1997, quando voltou para Inglaterra para atuar no Liverpool. Como jogador do time da cidade dos Beatles, ele disputou a Copa de 1998 e perdeu um pênalti na partida da eliminação contra a Argentina. Em uma de suas últimas partidas pelo Liverpool, Ince marcou contra o Manchester United e comemorou em frente à torcida, provocando.

Entretanto, no fim da temporada de 98/99, Ince se transferiu para o Middlesbrough, quando sua carreira entrou em decadência, apesar de ele ter jogado na Seleção até meados do ano 2000. Depois disso, Paul passou a mudar muito de clubes, atuando por Wolverhampton, Swindon Town e Macclesfield Town até o fim de sua carreira, em 2007.

Paul Ince como treinador do Blackburn

Pelo Macclesfield, Paul Ince foi jogador e treinador ao mesmo tempo, assim como Romário e muitos outros já fizeram. Em seguida, ele se transferiu para o Milton Keynes Dons, treinando a equipe de junho de 2007 a junho de 2008, sendo eleito por duas vezes o treinador do mês da Terceira Divisão Inglesa. Em seguida, assinou com o Blackburn, se tornando o primeiro treinador negro a comnadar uma equipe da Premier League. O ex-volante foi mal na equipe e acabou sendo demitido em dezembro de 2008. Atualmente, ele treina o Milton Keyne Dons novamente, e o clube disputa a Segundona Inglesa.

Read Full Post »

6Há exatos 32 anos, o Sport Club Corinthians Paulista se sagrava Campeão Paulista. Porém, aquele não foi um título qualquer. Aquilo era a queda do maior jejum da história do clube, foi o fim de um período no qual os corintianos eram gozados por todos, já que, durante 22 anos, 8 meses e 6 dias o Corinthians não conquistou um Campeonato Paulista sequer. O título veio de maneira sofrida, como não podia ter deixado de ser.

O torneio daquele ano era disputado em três turnos. No primeiro, o campeão foi o Botafogo de Ribeirão Preto, time que, naquele ano, era liderado por um dos maiores craques da história do Timão, o doutor Sócrates. Porém, quando viu o Botafogo vencer a primeira parcela, para o Corinthians ainda ter chance de título, restava ao time vencer a segundo parcela, para disputar o terceiro e decisivo turno da competição. E foi o que aconteceu, quando o Coringão venceu 13 dos 18 jogos, classificando-se.

O terceiro turno seria disputado pelos oito clubes mais bem colocados nos dois turnos. Estes oito clubes foram divididos em dois grupos, mas cada equipe jogaria contra as outras sete e os dois primeiros colocados disputariam uma final em três partidas. O grupo 1 foi formado por Botafogo, Ponte Preta, Palmeiras e Santos, enquanto o grupo 2 contava com Corinthians, São Paulo, Portuguesa e Guarani.

A primeira partida do Corinthians naquele turno foi contra o Santos, na Vila Belmiro, e o resultado foi um empate em 2 a 2. No jogo seguinte, o alvinegro foi a Campinas enfrentar a Ponte Preta, que já havia o vencido duas vezes na competição: 4 a 0 no primeiro turno e 2 a 1 no segundo. No terceiro confronto, deu Ponte de novo: 1 a 0. O próximo adversário foi o arquirrival Palmeiras, e foi neste jogo que o Coringão conseguiu sua primeira vitória no terceiro turno: 2 a 0. Na partida seguinte, outro time de Campinas e outra derrota: 1 a 0 para o Guarani.

Com as duas derrotas e um empate, restava ao Timão vencer os três jogos restantes para poder ainda avançar às finais. E foi o que aconteceu, quando o time venceu o Botafogo, de Sócrates por 1 a 0, a Portuguesa pelo mesmo placar e o São Paulo, do artilheiro daquele campeonato, Serginho Chulapa, por 2 a 1. Com as três vitórias, o Corinthians se classificou, como primeiro de seu grupo, para as finais, onde enfrentaria a Ponte Preta, invicta no terceiro turno, com 5 vitórias e 2 empates, e que havia batido o time da capital nas três vezes que eles se encontraram naquele campeonato.

A decisão não poderia ocorrer nem no Pacaembu, estádio onde o Corinthians mandava seus jogos, e nem no Moisés Lucarelli, estádio pontepretano. O estádio escolhido para abrigar os três jogos decisivos foi o Morumbi, estádio do São Paulo. Para os corintianos, a decisão foi boa, já que o time havia perdido para Ponte Preta nos outros dois estádios nos três turnos.

Basílio comemora o gol da redenção alvinegra

O primeiro jogo ocorreu no dia 5 de outubro de 1977. O Corinthians havia treinado forte na terça feira, o que não era comum quando o time atuaria na quarta. A Ponte Preta entrou em campo disposta a segurar a pressão do Timão nos primeiros minutos de jogo, fazendo com que a torcida passasse a jogar contra seu próprio time. Entretanto, em um contra ataque, o Corinthians abriu o placar com Palhinha. O jogador havia ficado cara a cara com Carlos, goleiro da Ponte. Quando bateu no gol, o arqueiro fez a defesa e a bola voltou em seu nariz, quebrando-o, mas morrendo no fundo do gol. Ao sofrer o gol, a Ponte teve de sair para o ataque, mas a defesa do Coringão foi forte e soube segurar o resultado.

Com a vitória, os torcedores do Corinthians ficaram extasiados e já tinham certeza que o título era questão de dias. Por isso, no dia 9 de outubro, os torcedores superlotaram o Morumbi, para ver o que poderia ser o jogo do título. Naquele dia, ocorreu o recorde de torcedores no local. Para ilustrar o que foi aquilo, citarei aqui um trecho do livro “Corinthians, O Time da Fiel”, de Orlando Duarte e João Bosco Tureta:

O que se viu em 9 de outubro jamais será visto novamente no futebol brasileiro. Era gente aportando de todas as partes do Brasil, cobrindo o Morumbi de preto e branco. Desde a véspera, o entorno do estádio parecia um acampamento cigano, com a fiel torcida esperando o momento de comprar o ingresso. Resultado: 138.032 pagantes (mais 8.050 crianças, que não pagaram ingresso).”

O jogo, entretanto, não foi tão bom para os corintianos. E começou na concentração, quando Oswaldo Brandão, treinador do alvinegro paulista, anunciou que Vaguinho iria para o banco e daria lugar a Palhinha, opção do treinador para segurar mais o jogo, sem dar espaços para a Ponte Preta. Com isso, Vaguinho ficou irado e ameaçou sair da concentração e abandonar o time, mas foi convencido por sua esposa a ficar. No jogo, Palhinha sentiu dores na coxa aos 25 minutos do primeiro tempo e deu lugar ao próprio Vaguinho, que acabou marcando o gol do Corinthians no jogo, aos 42 minutos do primeiro tempo. O gol parecia dar o título ao Coringão, mas não foi o que aconteceu já que, no segundo tempo, a Ponte virou o jogo, com gols de Dicá e Rui Rei, calando o maior público da história da cidade de São Paulo.

Entretanto, ainda havia a chance do título. E ele estava por vir no dia 13 de outubro. Para aquele jogo, não haveriam grandes surpresas, já que as equipes já haviam se enfrentado por cinco vezes só naquele Paulistão. A grande diferença daquele dia seria um certo jogador. Um jogador que era discreto, jogava com a camisa 8 e se tornaria ídolo de toda a Fiel Torcida naquele dia. Basílio, o Pé-de-Anjo. Reza a lenda que o treinador, Oswaldo Brandão, falou para Basílio que havia sonhado com ele marcando aquele gol, o gol da redenção. Muitos dizem que o técnico falou isso para todos os jogadores de linha, apenas querendo incentivar os seus comandados.

Diversos torcedores atravessaram o campo de joelhos e pagaram promessas em campo

O público daquela noite de quinta feira, até por ser uma noite de quinta feira, não foi tão grande quanto o do domingo anterior. Ao todo, mais de 86 mil pessoas pagaram ingresso, ou seja, havia quase 90 mil pessoas no estádio. O jogo começou muito nervoso, mas com o Timão pressionando e colocando uma bola na trave logo aos 4 minutos. Logo em seguida, Basílio obrigou Carlos a fazer uma grande defesa. Aos 16 minutos, o atacante pontepretano Rui Rei pediu falta e colocou a mão na bola. O juiz, prontamente, deu cartão amarelo ao jogador, que passou a reclamar muito, xingar o árbitro e gesticular. Com isso, ficou fácil para o árbitro tirar o cartão vermelho e mostrar para o jogador pontepretano.

A expulsão aliviou muito os torcedores do Corinthians, que temiam o que o centroavante seria capaz de fazer. Com isso, as atenções foram voltadas aos atacantes do Timão, que levavam perigo ao gol da Ponte. O time de Campinas só levou perigo ao gol corintiano aos 25 minutos. Geraldão também quase marcou no primeiro tempo, mas o placar não foi movimentado antes do intervalo. Depois de sofrer com os ataques da Ponte Preta, Oswaldo Brandão mandou o time para o ataque e, aos 36 minutos, Zé Maria fez um cruzamento e Ângelo cortou com o braço. Falta assinalada por Dulcídio. O próprio Zé Maria cruzou, Basílio raspa na bola de cabeça e ela vai parar nos pés de Vaguinho que, de bico, chutou forte e a bola explodiu no travessão, quicando no chão e sobrando para Wladimir, o capitão alvinegro, que cabeceou forte, mas a bola bateu no zagueiro Oscar, em cima da linha, voltando para Basílio fuzilar de pé direito e marcar o gol da redenção alvinegra.

Aquele gol faz, até hoje, com que todos os corintianos comemorem, aquele gol fez muitas pessoas verem o que o Corinthians significa. A partida teve mais algumas coisas, como a expulsão de Geraldão, do Corinthians e Oscar, da Ponte, mas nada tem tanta importância como aquele gol de Basílio, o verdadeiro gol da redenção.

Ficha técnica do jogo do título:

Data: 13/10/1977, 21h00

Local: Morumbi

Público pagante: 86.677

Renda: Rr$ 3.325.470,00

Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia

Ponte Preta 0 x 1 Corinthians

Ponte Preta: Carlos, Jair, Oscar, Polozzi e Ângelo; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta. Técnico: Zé Duarte

Corinthians: Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Romeu. Técnico: Oswaldo Brandão

Gol: Basílio, 37 do segundo tempo.

Campanha do Corinthians no Paulistão de 1977:

48 jogos, 30 vitórias, 6 empates e 12 derrotas, com 73 gols pró e 38 contra.

Em pé: Zé Maria, Tobias, Moisés, Ruço, Ademir e Wladimir. Agachados: Vaguinho, Basílio, Geraldão, Luciano e Romeu.

Read Full Post »

Older Posts »