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Archive for the ‘Longe do Gol’ Category

Semana passada eu falei um pouco sobre o caso Henry. Hoje, vou destrinchá-lo. Estão exagerando nas reações. Faxineiros disseram ao jornal The Sun que se recusam a utilizar um aspirador com a foto do atacante francês, que inclusive leva seu nome.

Lógico que isso é apenas um símbolo do movimento moralista internacional contra o jogador do Barcelona. A realidade é que uma hipocrisia enorme envolve esse caso. Nenhum jogador não colocaria a mão naquela bola. Foi instinto, puro, inerente ao ser humano, assim como é o erro. E ninguém está discutindo que ele não errou.

Seria interessante, evidentemente, que Henry fizesse igual Robbie Fowler, ex-atacante do Liverpool, que após sofrer um pênalti inexistente, admitiu ao juiz que a falta não havia acontecido. O apitador, inclusive, não acreditou no inglês e manteve a decisão. Fowler cobrou fraco, no meio, e não fez o gol.

Isso é a exceção. Valendo uma vaga na Copa do Mundo, que seria uma decepção enorme para seu povo, não podemos cobrar que Thiery faça o mesmo. Podemos cobrar que ele se arrependa, como fez. Diferentemente de Maradona e do povo argentino, que até hoje tem orgulho da mano de diós. Lembrando que o lance na final de 1986 decidiu o título, e não apenas uma classificação.

O pior da história é a FIFA. Se o próprio protagonista da infração admitiu que uma nova partida seria o mais justo, por que não fazê-la? No futebol, as regras são distorcidas diversas vezes por motivos escusos e condenáveis. Ninguém criticaria se assim fossem por motivos nobres, como este. A entidade máxima do esporte fará reunião especial sobre o caso, e espero que deliberem a favor da anulação.

Estão pegando Henry para cristo. Como se ele fosse o responsável de todas as mazelas do futebol. Como se ele simbolizasse tudo que há de ruim. Muito pelo contrário. A qualidade técnica exuberante do atacante e sua sensibilidade em arrepender-se e admitir o erro são justamente o que fazem do esporte o que ele é. Sinceramente? Henry é o menor dos problemas.

E o monstro ataca novamente…

Luiz Gonzaga Belluzo incorporou Mr. Hide mais uma vez. Em festa da Mancha Verde, gritou, calorosamente, “Vamos matar os bambis”. Evidente que até uma criança de 5 anos percebe que ele não estava incitando os palmeirenses a exterminarem são paulinos. Mas, de certa forma, estava. E é deplorável um dirigente de um dos maiores clubes do país agir dessa forma.

Belluzo alterna momentos de brilhante e vanguardista dirigente com momentos de cartola, no mais fiel significado da palavra. Aquele amador, inconseqüente, dos primórdios do futebol profissional. Alterna momentos de Dr. Jekyll com momentos de Mr. Hide. Uma pena, realmente.

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Todo mundo se lembra do lance na final da Copa do Mundo de 2006, no qual Zinedine Zidane, em sua partida de despedida, acertou Materazzi com uma cabeçada. A princípio, o juiz não avistou o lance, mas, em seguida, expulsou o francês, muito provavelmente avisado por alguém que assistia à partida pela televisão. Esse é o caso mais famoso, mas não é o único.

No Campeonato Carioca deste ano, o Botafogo teve um gol anulado da mesma forma. Ontem, embora não confirmado, tenho um forte pressentimento que Obina e Maurício, ambos do Palmeiras, foram expulsos da mesma forma.

A questão não é acertar ou errar a decisão sobre o lance. Na realidade, o que importa é o descumprimento da regra em benefício de alguns clubes, e em prejuízo de outros, sem critério algum. Quando alguém vê um lance duvidoso pelo monitor e avisa o árbitro, ele é corrigido. Quando não, segue o jogo. Não há regularização.

Zidane deveria ter sido expulso. O gol do Botafogo, anulado. Mauricio e Obina não poderiam continuar em campo. Mas enquanto os velhinhos da FIFA não decidirem aprovar o apito eletrônico, essas infrações da regra não podem ser corrigidas com outras infrações. Sou jornalista e não matemático, mas sei que dois erros não fazem um acerto.

As razões para a televisão não servir de auxílio ao árbitro são desconhecidas. Balelas como “a discussão faz parte do futebol”, ou o “tradicionalismo”, não colam. No tênis essa medida já é utilizada há algum tempo, e quer esporte mais tradicional que o bom e velho troca-bolinha?

Evidente que o jogo ficaria mais travado, pois, de vez em quando, a partida teria que ser interrompida para a avaliação do árbitro. Mas isso é questão de hábito. O custo-benefício compensa, já que injustiças seriam desfeitas, sem a necessidade de quebrar regra alguma.

Lances como o toque de mão de Thiery Henry na repescagem da Copa do Mundo, ontem, contra a Irlanda, ou o gol mal anulado de Obina de cabeça, além de inúmeros impedimentos, bolas que entram duvidosamente, e impedimentos absurdos, poderiam mudar a história de campeonatos. A main de dieu do atacante francês mudou a história de um país.

Sem dúvidas que a tecnologia assistindo o futebol seria benéfico. A discussão, evidentemente, é valida, mas os argumentos contra são fracos. Logo logo a International Board vai ceder, e permitir a arbitragem eletrônica. Até lá, porém, não podemos utilizar do jeitinho brasileiro para burlar a regra. Por mais absurda que ela seja.

Que pena!

Luiz Gonzaga Belluzo, presidente do Palmeiras, pegou nove meses de suspensão. Vai recorrer, em fevereiro apenas. Por enquanto, Salvador Hugo Palaia, o homem da auto-entrevista, assume o Palestra Itália, pelo menos até o fim do ano, quando já será permitido um efeito suspensivo da pena do economista.

O ruim é ver uma figura como Belluzo, de mais acertos do que erros, afastada do futebol. Pior é ver uma figura como Carlos Eugênio Simon, de muitos mais erros do que acertos, prestigiado e apitando Mundial e Copa do Mundo.

Quando Belluzo retornar à cadeira presidencial alviverde, lá para agosto do ano que vem, tudo já terá sido esquecido e, provavelmente, Simon estará apitando o principal jogo da rodada. Esse é o Brasil-sil-sil.

Falando em penas…

O Campeonato estava tranqüilo. Paulo Schmidt, o arroz de festa do futebol brasileiro, estava quieto. Não aparecia. Era a calmaria antes da tempestade. Morumbi fora da partida final, Jean, Dagoberto e Borges suspensos até o fim do torneio, André Dias e Hugo em pauta no tribunal.

Borges mereceu sua punição, inclusive, até se fosse maior não seria errado. Dagoberto pegou três partidas por lance parecido ao de Vagner Love, que pegou apenas dois. Jean, em um lance de jogo, diferente dos outros, já havia sido devidamente punido. O Atlético-MG teve caso parecido ao do Morumbi, e não foi punido. As carícias violentas de André Dias e Hugo foram vistas pelo árbitro e punidas da forma que ele achou melhor. Mudar a decisão de campo pode ser perigoso.

O Campeonato estava tranqüilo. Muito bom até. Tão bom que o tribunal não conseguiu ficar de fora. Tinha que aparecer e, possivelmente, estragá-lo. A incoerência parece não ter limites. Um tribunal de penas resolveria isso.

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longe-do-gol-brunobonsantiA eleição de Luis Gonzaga Belluzo foi comemorada como um título pelos palmeirenses que o conheciam. Seu currículo é vasto. Conselheiro econômico de Lula, colunista de uma das revistas de maior circulação no país, autoridade internacional em economia, além de professor e acionista da Puccamp. Uma inteligência acima da média, aliada à ponderação e honestidade inerentes a seu caráter faziam com que a escolha não pudesse ser melhor.

Mais do que tudo, a expectativa era que alguém, que não participava dos sujos bastidores futebolísticos, pudesse trazer uma administração vanguardista, que servisse de exemplo. Houve casos desse gênero.

Certa ou não, a demissão de Luxemburgo foi uma demonstração de coragem. Despedir o treinador mais vencedor do futebol brasileiro por uma declaração não é comum. Brigar com a parceira para manter os principais jogadores também não. Foi feito um esforço sobre-humano para que Pierre, Mauricio Ramos, Cleiton Xavier e Diego Souza terminassem o Campeonato Brasileiro jogando pelo Palmeiras. Ironicamente, todos ficaram fora de parte do torneio por outras razões.

Outro ponto a favor do presidente foi a condução, de uma forma muito correta, da contratação do técnico tricampeão brasileiro. Nunca confirmou Jorginho nem o descartou, e quando Muricy Ramalho pareceu propenso a pular o muro da Barra Funda, Belluzo não o deixou escapar. A campanha do treinador decepciona, mas isso não pode ser posto na conta do presidente. Ele acertou ao contratá-lo.

Como também já errou. Principalmente ao permitir uma reunião entre torcedores e jogadores, precedendo o duelo contra o Goiás, vencido pelo Palmeiras por 4×0. Esses encontros colocam uma pressão desnecessária nas costas dos atletas e nunca são benéficas. A goleada foi puro acaso, e nada tem a ver com a reunião.

A maior pisada na bola, entretanto, foram as declarações contra Simon. O professor perdeu a razão. Transformou-se em Mr. Hide. Ou melhor, foi transformado em monstro pela sujeira do futebol. Eu não duvido que haja, realmente, muita roubalheira escondida nos bastidores, e tenho certeza que Belluzo sabe disso melhor do que eu. Entendo sua indignação, oriunda até da pressão que sofre ao ver um título quase certo escapar pelos dedos. São 15 anos de jejum. Mas ao atacar o péssimo árbitro da forma como fez, rebaixou-se ao nível de dirigentes historicamente ruins.

Dr. Jekyll, ou melhor, o Professor Jekyll tinha tudo para ser um marco no comando do futebol brasileiro. E tomou atitudes que foram realmente históricas e corajosas, mas que dificilmente serão tomadas novamente, pois a punição que receberá, justamente, deve ser exemplar. Uma pena, pois Belluzo poderia continuar lutando contra a promiscuidade que toma conta do futebol. Afastado, não poderá mais. E eu não conheço ninguém com mais condições que ele para ganhar essa briga.

Em tempo

É muito fácil ser árbitro no Brasil. Por uma “sucessão de erros”, segundo a Conaf, Simon não apita mais no Campeonato Brasileiro este ano. Os erros são por conta do juiz, a sucessão deles é culpa de quem o escala.

O problema é que o apitador não está nem aí. Até o fim do ano, trabalha na Copa Sul-Americana e no Mundial de Clubes. Ano que vem, vai à África do Sul e, voltando prestigiado, retorna aos jogos de primeira divisão, pois a memória do brasileiro é curta mesmo.

A anulação do gol de Obina só não é o maior erro da carreira de Simon, pois seu currículo conta com um impedimento em cobrança de lateral. E, nunca é demais lembrar, ele vai para sua terceira Copa do Mundo…

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longe-do-gol-brunobonsantiHá uma linha tênue entre o ranzinza engraçado e o mal-educado. Muricy Ramalho, após suas declarações nos vestiários da brilhante goleada do Palmeiras sobre o Goiás, há uma semana, atravessou-a.

Até então ele apenas dava respostas atravessadas e irônicas a repórteres jovens, enquanto os mais experientes eram mais bem tratados. Traço comum na personalidade de uma pessoa conservadora, e reflexo de um jornalismo cada vez mais novo. Na época de Muricy, os profissionais da mídia tinham mais tempo de rodagem.

Essa disparidade de tratamento não é louvável. Longe disso. Ele se achava no direito de descontar o stress nos repórteres que muitas vezes faziam perguntas idiotas mesmo. Chegou até a ser boicotado pela ESPN Brasil que, por decisão do diretor de jornalismo José Trajano, parou de veicular as entrevistas coletivas do treinador. Posteriormente, Muricy pediu desculpas e tudo voltou ao normal. Ele reconheceu que exagerava, e prometeu mudar.

Não mudou. Após quatro jogos sem vencer, e com a liderança em risco, seu time goleou um inexplicável Goiás. Foi o alivio que precisava. Em meio à má fase do Palmeiras, alguns jornais publicaram que o elenco tinha ciúmes de Vagner Love, pelo seu alto salário. Muricy não gostou da notícia e chamou todos os jornalistas, sem exceção, de fofoqueiros.

Primeiramente, é bom deixar claro que, sem dúvidas, há muitos seguidores de Nelson Rubens no jornalismo esportivo. Como em todas as profissões, há bons e maus profissionais. O treinador tricampeão brasileiro erra ao por todos no mesmo saco. Generalização é sinal de ignorância, características Muricy Ramalho não parece ter. Gostaria que o tricampeão apontasse qual foi o jornalista fofoqueiro.

Para o técnico, a imprensa também é descompromissada. Não usarei as mesmas palavras, pois sou mais educado. Outra falácia. Da mesma forma que Muricy tem compromisso com a Sociedade Esportiva Palmeiras e seus respectivos torcedores, os profissionais da imprensa têm compromisso com seu veiculo e com seu público.

Outro adjetivo que ficou implícito na fala do comandante alviverde foi preguiçoso. Muricy acusou-nos de não ver treinamentos, e sem base alguma, especular que Deyvid Sacconi seria uma boa opção, sendo que ele treinou em Atibaia e não foi bem. O único detalhe esquecido por Muricy é que os treinamentos na cidade do interior de São Paulo foram secretos, fechados aos que cobrem o Palmeiras. A única forma dos jornalistas verem as atividades do treinador seria subindo em uma colina e pegando um binóculo.

Muricy aproxima-se de Dunga. Ainda não chegou ao mesmo patamar do técnico da seleção brasileira, pois este é muito bom em ser desrespeitoso. É capaz até que peça desculpas, no final do Campeonato, como já fez anteriormente, e isso atenuaria um pouco sua atitude, mas não a apagaria. Foi lamentável o que o treinador do Palmeiras fez nos vestiários quinta-feira passada. Muricy Ramalho exagerou.

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longe-do-gol-brunobonsantiSemana passada falei de um Teixeira, hoje falo de outro. O Marcelo, presidente do Santos, muito mais perdido do que o seu homônimo da CBF. A princípio, anunciou que não se candidataria a mais uma reeleição. Sua idéia era fazer o sucessor e voltar em 2012, ano do centenário do clube.

O problema, caros leitores, é que Teixeira não goza mais do mesmo prestígio de anos passados. Dinheiro gerado com a venda da brilhante geração de 2002 torrado, manobras escusas para reeleger-se, proximidade estranha com Vanderlei Luxemburgo e Fábio Costa, tudo isso fez com que o longevo mandatário alvinegro perdesse força na Vila Belmiro. Claro, todos os argumentos apoiados nas más campanhas que a equipe vem fazendo nos últimos anos.

Com os dólares de Robinho, Diego, Elano e cia bela, o Santos deveria ter estabilizado-se como um dos times que estão sempre brigando pelo título. Desde então, entretanto, o peixe soma apenas dois Campeonatos Paulistas, um vice-campeonato brasileiro em 2007, muito longe do campeão São Paulo, e uma semi-final de Libertadores.

Algumas más decisões fizeram a verba evaporar. Somente com as rescisões de Claudio Pitbull, Giovanni, o Messias, e Luizão, no inicio de 2006, R$ 10 milhões foram embora. Em seguida, contratou Zé Roberto a peso de ouro. Evidentemente que o meia deu outro calibre ao time santista, entretanto os resultados não foram satisfatórios. Além de, claro, manter Vanderlei Luxemburgo na sua folha de pagamento por dois anos e meio.

Voltando às eleições, atualmente, dos mais de 10 mil votantes, Marcelo só tem certeza que pouco mais de 3 mil votarão nele. Quatro mil são novos, e ninguém teve o trabalho de fazer uma pesquisa de opinião para saber em que lado estão, porém, tendo em vista os gritos da torcida após as partidas – os torcedores não votam, mas sem dúvida influenciam – dificilmente os votos irão para as bandas da situação.

Vendo que dificilmente faria seu sucessor, Teixeira mudou de ideia e decidiu candidatar-se. Fez reunião com os opositores, tentando chegar a um consenso que levaria à chapa única. Não conseguiu. Na festa de anúncio poucas pessoas compareceram, deixando os situacionistas com aquela pulga atrás da orelha. O presidente, evitando uma provável derrota, deve retirar a candidatura.

O candidato da oposição é Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro. Autoridade brasileira no mercado de imóveis, presidente de diversas multinacionais, além de ter experiência com a administração de orçamentos do Banco Central. É conselheiro do clube há 17 anos.

Ele tem currículo, mas, quem quer que seja, a mudança de comando é boa para o Santos. Inegavelmente Teixeira tem méritos no bi-campeonato brasileiro do inicio do século, mas já está na hora de largar o osso. Seus co-irmãos paulistas recentemente depuseram os ditadores e estão começando a organizar-se. Para não ficar atrás, é imprescindível que o alvinegro praiano comece logo sua renovação.

Ironias

A direção do Palmeiras fez tudo certo este ano. Brigou com a parceira para manter seus principais jogadores que, ironicamente, acabaram ficando fora de combate por outras razões. Trouxe o técnico tricampeão brasileiro, em um processo bem conduzido, além de repatriar Vagner Love, a contratação mais tentada das últimas temporadas, e que apenas colecionava fracassos. Mesmo assim, pode perder o título, apesar de ter liderado boa parte do campeonato. Algumas vezes, um bom trabalho da direção não é suficiente. Em 2009, pode até ser, mas o alviverde precisa voltar a vencer.

Ironias (2)

Já o Flamengo fez tudo errado. Atrasou salários, contratou o aposentado Adriano, que retribuiu faltando a diversos treinamentos (três, segundo ele), além da piada pronta que foi a volta de Petkovic. Também tivemos o afastamento do presidente Márcio Braga por questões médicas, brigas entre a diretoria de futebol, que culminou com a saída de Kleber Leite, e uma lentidão crônica até, finalmente, efetivar Andrade no cargo de treinador. E ainda é ano de eleição.

Ufa. Com tudo isso, o rubro-negro briga pelo título, com boas chances de ganhar. Os dois jogadores contestados estão jogando um bolão. Ontem, perdeu pro Barueri, mas mantém-se entre os primeiros. Mesmo assim, uma vaga na Libertadores é uma realidade muito boa para um time que vem sendo premiado pela bagunça. Algumas vezes, um mau trabalho da direção acaba sendo indiferente ao desempenho dentro de campo.

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longe-do-gol-brunobonsantiAlgo de estranho vem acontecendo ultimamente. Após o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ter finalmente admitido uma discussão séria sobre a adaptação do calendário brasileiro ao europeu, novamente ele adotou a postura que dele era cobrada.

A Globo quer a volta do mata-mata como sistema de disputa do Campeonato Brasileiro. A verdade é até pior, pois ela propôs um modo de disputa híbrido que vai confundir mais ainda o torcedor. A rede de televisão tem seus motivos, mas qualquer criança devia saber que os interesses do futebol brasileiro devem sobrepor-se aos dela.

Teixeira, finalmente, percebeu isso, ou, pelo menos, age dessa forma. Afirmou ter 8 mil argumentos contra o retorno do antigo sistema de disputa. Além disso, defende que outros aspectos também tem que ser mudados, como o horário dos jogos no meio de semana.

Com partidas às 10 horas da noite, evidentemente não contamos com o máximo de público que poderíamos. Alguns estádios, como o Morumbi, tem um sistema de transporte público precário, que obriga alguns torcedores a pegarem até três ônibus após a meia-noite. Inviável.

O chefão da CBF parece estar começando a preocupar-se com o verdadeiro objetivo de seu mandato infinito frente a entidade: fornecer as melhores condições a quem paga ingresso para ver seu time e é a base do futebol.

Até agora, a única preocupação de Teixeira foi administrar a Seleção Brasileira. Encheu os cofres da confederação com a renda de amistosos e patrocínios, esses que, inclusive, foram usados como argumentos para uma possível independência da verba televisiva. O presidente acredita que os clubes podem sobreviver com o dinheiro de outros parceiros da CBF, sem exclusivamente ser a Rede Globo um deles

Demorou, mas finalmente, a postura de Teixeira é elogiável. Caso ele mostre a emissora que ela é apenas uma parceira do futebol, e não sua dona, além de continuar visando aos interesses do público e dos clubes, os motivos para essa mudança de pensamento não me interessam muito.

Mesmo porque, eu já tenho uma idéia. Garantido até 2014 no cargo, Teixeira não precisa mais bajular ninguém. Na realidade, o oposto é que se aplica. Mais poderoso do que nunca, o presidente pode usar esse poder com o objetivo certo. De qualquer forma, parabéns a ele.

Copa 2014

A Arena da Baixada, estádio do Atlético-PR, era um dos poucos palcos – junto com o Morumbi e o Beira-Rio – o qual esperava-se que não seria necessário investimento público, pois pertence a uma empresa privada. Todos os outros são de administração governamental. Era, pois a diretoria do furacão já pediu ao Governo do Estado a bagatela de R$ 100 milhoes para terminar as reformas, empacadas há um bom tempo. O argumento é que a arena ficaria como um legado para a população de Curitiba. Para a população rubro-negra, só se for.

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longe-do-gol-brunobonsantiQuando eu comecei essa coluna sobre os fatos ocorridos fora dos gramados, principalmente políticagens, eu tinha certeza que criticaria mais os dirigentes brasileiros que os estrangeiros. Evidentemente, isso vem acontecendo, tendo em vista que o Longe do gol de hoje é o primeiro a tratar de um assunto internacional.

As Eliminatórias Européias terminaram ontem. A única ausência notável é a Suécia, de Zlatan Ibrahimovic. A Alemanha, que chegou a perigar, já pode procurar hotel na África do Sul. Portugal e França, grandes ameaçados, conseguiram suas vagas na repescagem. Assim como Rússia, Grécia, Ucrânia, Eslovênia, Bósnia e Irlanda.

A expectativa de seleções com menos expressão no futebol de ir a Copa, como os eslovenos ou irlandeses, apoiava-se no sorteio, que poderia colocá-los longe de um duelo contra o time de Cristiano Ronaldo, por exemplo.

Poderia, apenas, pois Joseph Blatter, presidente da FIFA, declarou em outubro, durante visita ao Rio de Janeiro que, pela primeira vez, os sorteios terão cabeças-de-chave. Essa decisão claramente foi baseada na possibilidade, que girava em torno dos 100%, de mais de um gigante precisar passar pela repescagem, como aconteceu.

Dessa forma, Rússia, França, Grécia e Portugal não se enfrentam. Consequentemente, os outros “repescados” terão adversários mais difíceis, o que causou revolta. O técnico da Irlanda, Giovani Trapattoni, que já venceu a Champions League e chegou a dirigir a Itália na Copa-02, declarou ser a “morte do futebol”.

Evidentemente o italiano, como todo bom detentor de sangue latino, deveria estar falando mais com a emoção que com a razão, pois exagerou um pouco, mas, sem dúvida esse é um episódio lamentável. Ninguém prefere ver uma Copa do Mundo com a Eslovênia no lugar da França, mas mudar as regras da competição enquanto a mesma ocorre acaba com a credibilidade do torneio.

Para não deixar nossos conterrâneos ilesos, algo parecido já aconteceu no Brasil. Em 1987, a CBF não quis organizar o Campeonato Brasileiro. Logo, os principais clubes do país criaram o Clube dos 13 para dar continuidade a uma competição que já acontecia há 16 anos. Mudaram seu nome, chamaram-na de Copa União.

E foi um grande sucesso. Patrocínios da Coca-Cola, média de público maior que nunca e muito dinheiro entrando nos cofres dos clubes. A entidade máxima do futebol brasileiro, claro, quis sua parte e criou o módulo amarelo, com os clubes que não participavam do torneio, ou, no português claro, as equipes de segunda divisão do Brasil.

Propôs, inclusive, que o vencedor do módulo amarelo disputasse o título brasileiro contra o conquistador do módulo vermelho, o original, com os principais times do país. Evidentemente, o C13 não aceitou e mandou um representante falar com a CBF. O paladino escolhido para ser o mensageiro é bem conhecido dos vascaínos: usa óculos, é um pouco acima do peso, não tira o charuto da boca, já foi deputado e é um doce de pessoa.

O enviado, entretanto, aceitou a imposição estapafúrdia, causando muita confusão, pois obviamente, o Flamengo, campeão do módulo vermelho, não aceitou jogar contra o Sport, vencedor do amarelo.

Até hoje a CBF reconhece o time pernambucano como Campeão Brasileiro de 1987. A maior parte da crônica esportiva discorda da entidade e considera que o tetra rubro-negro foi conquistado naquele ano, assim como este blogueiro.

Em todo lugar há bons e maus dirigentes, grupo que, inclusive, costuma prevalecer sobre o primeiro. Quem deve ter ficado feliz é Ricardo Teixeira, representante da segunda categoria, pois, quando chegar à presidente da FIFA, já vai saber de cor o modus operandi da entidade.

Foi só elogiar…

Como é complicado elogiar dirigentes. Apenas alguns dias após eu ter dado parabéns a Mauricio Assumpção, presidente do Botafogo, no caso dos ingressos do clássico contra o Flamengo, acontece aquele absurdo no Engenhão.

A diretoria botafoguense pediu, inicialmente, apenas 30 mil ingressos para a partida contra o Avaí, esgotados rapidamente. Vendo que a demanda era alta, requisitou mais 5 mil, também insuficientes. Os outros 5 mil que ainda cabem no Engenhão foram vendidos, mas teria sido necessário informar o Corpo de Bombeiros com antecedência para o clube poder usar a capacidade máxima do estádio, que é de 40 mil pessoas.

Dessa forma, as autoridades impediram a entrada do público excedente, mesmo com ingresso nas mãos, causando muita confusão, inclusive, envolvendo crianças.

O episódio foi lamentável, mas, pelo menos, não resultou de cafajestagem, mas sim de incompetência, e isso se conserta.

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