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Posts Tagged ‘Maradona’

Semana passada eu falei um pouco sobre o caso Henry. Hoje, vou destrinchá-lo. Estão exagerando nas reações. Faxineiros disseram ao jornal The Sun que se recusam a utilizar um aspirador com a foto do atacante francês, que inclusive leva seu nome.

Lógico que isso é apenas um símbolo do movimento moralista internacional contra o jogador do Barcelona. A realidade é que uma hipocrisia enorme envolve esse caso. Nenhum jogador não colocaria a mão naquela bola. Foi instinto, puro, inerente ao ser humano, assim como é o erro. E ninguém está discutindo que ele não errou.

Seria interessante, evidentemente, que Henry fizesse igual Robbie Fowler, ex-atacante do Liverpool, que após sofrer um pênalti inexistente, admitiu ao juiz que a falta não havia acontecido. O apitador, inclusive, não acreditou no inglês e manteve a decisão. Fowler cobrou fraco, no meio, e não fez o gol.

Isso é a exceção. Valendo uma vaga na Copa do Mundo, que seria uma decepção enorme para seu povo, não podemos cobrar que Thiery faça o mesmo. Podemos cobrar que ele se arrependa, como fez. Diferentemente de Maradona e do povo argentino, que até hoje tem orgulho da mano de diós. Lembrando que o lance na final de 1986 decidiu o título, e não apenas uma classificação.

O pior da história é a FIFA. Se o próprio protagonista da infração admitiu que uma nova partida seria o mais justo, por que não fazê-la? No futebol, as regras são distorcidas diversas vezes por motivos escusos e condenáveis. Ninguém criticaria se assim fossem por motivos nobres, como este. A entidade máxima do esporte fará reunião especial sobre o caso, e espero que deliberem a favor da anulação.

Estão pegando Henry para cristo. Como se ele fosse o responsável de todas as mazelas do futebol. Como se ele simbolizasse tudo que há de ruim. Muito pelo contrário. A qualidade técnica exuberante do atacante e sua sensibilidade em arrepender-se e admitir o erro são justamente o que fazem do esporte o que ele é. Sinceramente? Henry é o menor dos problemas.

E o monstro ataca novamente…

Luiz Gonzaga Belluzo incorporou Mr. Hide mais uma vez. Em festa da Mancha Verde, gritou, calorosamente, “Vamos matar os bambis”. Evidente que até uma criança de 5 anos percebe que ele não estava incitando os palmeirenses a exterminarem são paulinos. Mas, de certa forma, estava. E é deplorável um dirigente de um dos maiores clubes do país agir dessa forma.

Belluzo alterna momentos de brilhante e vanguardista dirigente com momentos de cartola, no mais fiel significado da palavra. Aquele amador, inconseqüente, dos primórdios do futebol profissional. Alterna momentos de Dr. Jekyll com momentos de Mr. Hide. Uma pena, realmente.

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E agora, José

O futebol é uma arte, mas poucos são artistas,

Hoje farei uma homenagem aos meus amigos paulistas!

Boleiros fervorosos dos mais diversos mantos,

De Corinthians, Palmeiras, São Paulo e de Santos.

A primeira vai pr’um parça que às vezes é um sono

Ele escreve aqui no “Opina”, meu brother Marcel Buono!

Sempre alviverde, amante da camisa nove,

Do artilheiro do amor, do matador Vágner Love!

Pra quem ele sempre torce: “que gols nunca erre!”

Já que no meio-campo o Palmeiras conta com o Pierre.

O time de Muricy Ramalho é o líder do Campeonato,

Mas anda vacilando e isso é um fato

Perdeu para o Timbú por três tentos a zero

Porém, o Marcel acredita: “Campeões, eu espero!”

Agora o Verdão tem o Flamengo em casa,

Tomara que não aconteça o que houve contra o ASA

Já os alvinegros só falam em Ronaldo,

Que mesmo gorducho ainda dá um caldo

Batata, biscotinho, Cicarelli e pão de mel…

Não importa o que ele coma ele é adorado na Fiel!

Passagens pela Europa o tornaram “pouco rico”

Agora, no Corinthians, temos o Defederico.

Menino argentino, brigador não vai à lona

Só tem um defeito: é adepto do Maradona!

Leandro Sarhan, Léo Sacco, e Chavedar

São “loucos por ti” – “não pára de lutar”!

E o que direi, então, do hexa-brasileiro?

Pro Adriel, meu grande brother, um baita de um parceiro:

Nos três últimos anos o tricolor foi até tri!

Mas, na nossa Copa, não teremos o Morumbi (brincadeirinha)

A equipe anda bem, servindo à seleção

André Dias e Miranda já foram chamados pelo “patrão”

Sempre bem montando, sempre com bons nomes,

Esse é o time do ex-zagueiro Ricardo Gomes!

Pra finalizar vem o Peixe e suas meninas

Que, ao contrário dos marmanjos, fortalecem as minhas rimas!

Mostrando para o mundo que sabem usar os pés,

Trouxeram até a Marta pra usar a camisa 10

Já homens não vão bem, como isso pode?

Essas rimas meio aquáticas vão pro parceiro God

Mas, não fica triste, vocês tem um tal de “Ganso”

Que, diferente do Neymar, não dá uma de “manso”

Joga muito esse menino, tem classe e é de primeira!

Pena, que na frente, quem tá é o Kléber Pereira!

E assim vai terminando essa singela homenagem

Aos 4 de São Paulo que não estão de sacanagem

Já que lá no Rio o amadorismo é o que impera,

Escrevo essas linhas pr’um futebol que é mesmo fera

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pe-no-saccoImagine a seguinte cena: seu time acaba de levar uma bola na trave e faltam apenas dois minutos para que a partida termine. Aquele empate em zero a zero nada mais fará senão classificar o adversário e tirar sua equipe da grande final. Eis então que surge aquele camisa sete legítimo, ponta rápido e habilidoso. É lançado pelo zagueirão na base do chutão, passa por um, dois, três, rápido que é e finalmente chega na linha de fundo. Dentro da área está o centroavante grandalhão, a zaga adversária toda desmontada. Cruzamento perfeito, na medida. O atacante está livre. E a bola voa por cima da trave. Qual sua reação, leitor? Não me venha com nada menos do que um belo de um xingamento.

Sim, desde que o futebol é futebol a arte de xingar jogadores, técnicos, juízes e quaisquer outras espécies que habitem a sagrada relva verde existe. Não há como passar impune por uma jogada como a que citei acima. E é neste clima que estreio hoje meu espaço em todas as segundas-feiras do Opina Fute. É com essa introdução que dou início ao Pé no Sacco. E você, amigo leitor, pode começar a me cornetar – assim como farei em todas as minhas colunas – falando sobre esse trocadilho mais do que infâme envolvendo meu nome. Mas vamos ao que interessa…

Nada melhor do que esta semana para começar a cornetar. Nada melhor do que mirar para Maradona e sua falta de habilidade em ser técnico. O baile ao ritmo de samba do crioulo doido que o Brasil deu na Argentina em plena terra hermana foi a cereja do bolo da classificação a mais uma Copa. Don Diego, Diós ou seja lá como é chamado o hermano lá na terra dele provou que merece as cornetas que teimam em não soar para seu péssimo trabalho frente ao selecionado nacional. Convocar Sebá foi uma grande piada para um país que já teve em sua esquadra defensiva nomes como Passarella, Ayala e Sensini – e muitos outros, claro.

Passando da zaga para o meio-campo, temos mais um erro de Dieguito. Não consigo tirar da minha cabeça o erro inigualável em um treinador ver seu ego ser afetado por um dos jogadores mais cerebrais do time e brigar com o mesmo, descartando-o de futuras convocações. Na briga de egos entre Maradona e o ótimo Riquelme, perderam a Argentina, que não tem ninguém a altura, e os ótimos prospectos futuros, como é Dátolo, que caso fosse melhor preparado, poderia render mais com a camisa alviceleste.

No ataque, no entanto, vejo o erro mais gritante. Maradona faz questão de armar um time (mal) recheado de jogadores no meio-campo e faz com que seu setor de frente fique carente. Sim, é difícil imaginar que um setor que pode contar com Messi, Tevez e Agüero seja carente. Mas ao deixar o genro e terceiro jogador citado no banco o treinador hermano mostra não saber ousar. Kun, como é chamado em seu Atlético de Madrid, é um dos melhores jogadores da “nova” safra argentina. Fica no banco e vê seus companheiros mal receberem a bola. Messi se desdobra em onze, rouba bolas, vai ao ataque, mas, infelizmente – ou não -, não pode render por um time todo em todas as vezes que joga.

Resultado? Pela primeira vez em muito tempo a Argentina sua para chegar ao Mundial. Maradona segue como El Diós em seu país, mas se mostra um treinador incompetente e medroso. Tomara que nossos hermanos não fiquem de fora da Copa por besteiras como essa. Me cornetem o quanto quiserem, mas Copa do Mundo sem Argentina… não é Copa do Mundo.

Cutucadas

– Por que Dunga insiste em deixar Ramires no banco de reservas? Quando titular, sempre se mostra uma ótima opção.

– Deixando um pouco de lado as Seleções, me questiono como Val Baiano pode ser um dos goleadores do Brasileirão. O Barueri perdeu o jogo em pênalti polêmico, mas a quantidade de gols perdida por seus atacantes foi absurda…

– Parabéns ao Fluminense pela classificação adiantada à Série B de 2010. O planejamento do time foi excepcional para esse retorno ao calvário. Pobre da torcida tricolor…

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Como as competições mais importantes e disputadas do primeiro semestre do futebol brasileiro estão chegando às suas fases decisivas, muitos times estão sendo eliminados nos mata-matas. E, como sempre ocorre nessa época do ano, o mais falado não é aquele gol bonito, aquele passe genial, aquele drible desconcertante, aquela raça incomparável de um jogador. O mais falado em entrevistas coletivas de treinadores e jogadores, fora as rodinhas de torcedores, é a arbitragem. Que absurdo!

Colorados estão exagerando nas críticas ao árbitro Heber Roberto Lopes

Não quero inocentar, aqui, nenhum árbitro de futebol por erros cometidos, mas acho ridículo o foco central deixar de ser a bola, deixar de ser a beleza do nosso esporte. Desde que o futebol é disputado, há polêmica nas decisões dos “homens de preto”. Sempre ouvimos comentaristas dizendo que os juízes são seres humanos que erram, assim como todos os outros, mas dificilmente ouvimos e aceitamos isso.

Que equipe de futebol nunca foi beneficiada pela arbitragem? Não existe!

'La Mano de Diós' marcou a história

Ouvimos palmeirenses reclamando de um pênalti não marcado, no qual o jogador do Nacional colocou a mão na bola. Foi pênalti? Sim, mas o árbitro não viu e não deu, paciência…Não existe se no futebol. Suponho que os tais palmeirenses que estão criticando a arbitragem, dizendo que foram prejudicados, têm memória muito curta. As vítimas esqueceram que, nas duas últimas rodadas do Brasileirão, o time foi claramente ajudado pelos árbitros. Contra o Sport, no Palestra, o goleiro Marcos tirou uma bola de dentro do gol e o juiz não considerou gol. No jogo seguinte, contra o Cruzeiro, no mesmo local, o zagueiro Marcão cabeceou uma bola no travessão, que voltou em cima da linha, mas o juiz achou que a bola entrou e deu gol. Em ambos os jogos, o juiz errou feio em favor do time alviverde, mas é claro que os palmeirenses não vão reclamar disso.

Os colorados do Internacional estão reclamando acintosamente até hoje de um pênalti não marcado em uma partida contra o Corinthians, em 2005. A partida poderia, sim, definir o título e o juiz errou, sim. Porém, eles não se recordam dos gols irregulares de seu clube nas rodadas que antecederam aquela partida. Os mesmos colorados reclamam muito de uma falta que foi batida em movimento, pelo volante Elias, na final da Copa do Brasil deste ano. Foi irregular? Sim, mas quantas faltas não são batidas fora de posição, ou com a bola rolando durante a partida? Os jogadores falam que se a jogada tivesse sido anulada, o Inter poderia vencer a partida. O jogo de interesses dos treinadores e jogadores é medonho.

Grandes estrelas do futebol foram ajudadas e prejudicadas por árbitros. Imaginemos se o árbitro das semifinais da Copa do Mundo de 1970 tivesse expulsado o Rei Pelé após sua cotovelada em um uruguais. Se “la mano de Diós” de Diego Armando Maradona tivesse sido vista pelo árbitro e o gol anulado. Se o árbitro de Brasil e Suécia em 1978 tivesse deixado a bola sair de jogo antes de acabar a partida. Para quem não sabe, a bola foi cruzada na área e o juiz apitou o fim do jogo com a bola no ar. Na conclusão da jogada, Zico cabeceou e fez um gol que mudaria a história do Brasil naquela Copa.

Os erros de arbitragem sempre estiveram presentes no futebol e sempre estarão. Não há nada que possamos fazer. Há muitas coisas que podem ser melhoradas em relação aos árbitros, claro. A profissionalização deles é uma destas coisas, mas isso não eliminará o erro. Assim como o centroavante perde um gol feito, como o técnico faz uma substituição equivocada, o trio de arbitragem erra uma marcação, mas dificilmente é isso que decide um campeonato. Afinal de contas, todas as equipes são favorecidas e prejudicadas ao longo de todas as partidas, isto é inegável.

Chega de “chororô”, vamos jogar bola!

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Segunda parte da entrevista com o jornalista e pesquisador Celso Unzelte:

Opina Fute: Quem foi o melhor jogador que você viu jogar? Alguém se aproxima de Pelé?

Celso Unzelte: Eu não vi o Pelé jogar. Sou nascido em 1968 e, nas minhas primeiras memórias de futebol, o Pelé não estava mais jogando. Porém, ao ver vídeos e lances do Rei, não há como negar que ele foi o maior da história. Negar o Pelé é uma imbecilidade! Dos que vi jogar, o melhor foi o Maradona, que não era um jogador completo como o Pelé. Ele, por exemplo, não cabeceava bem. Dos brasileiros, o melhor que vi foi o Zico. Para mim, o Pelé foi o ser humano mais capaz de exercer uma atividade já existente. Ele não inventou o futebol, mas beirou a perfeição no que fazia.

Opina Fute: Alguma vez algum empresário quis te subornar para você falar bem ou mal de certo jogador?

Celso Unzelte: Não, porque eu não sou especificamente um comentarista. Não sou um jornalista factual. Eu sou mais voltado para a História, adoro fontes mortas. Minha última fonte viva é tão antiga que já morreu (risos). Essas coisas de contato com empresário não acontecem muito comigo. O máximo que já me aconteceu foi quando os empresários do Rivaldo foram visitar a Placar, logo após ele ser escolhido o melhor do mundo. Eu havia tirado um sarro do Rivaldo como melhor do mundo, pois não era fã do futebol dele. Perguntado se gostava da revista, um dos empresários disse: “Sim, apesar do Celso não gostar do Rivaldo”. Aquilo foi, de certa maneira, uma pressão, mas nada demais.

Opina Fute: Alguma vez seu fanatismo pelo Corinthians o atrapalhou? É fácil ser imparcial?

Celso Unzelte: Atrapalhar não atrapalhou. Não sou o tipo de jornalista que vai rir de um adversário na televisão, ou falar mal de algum outro time. Algumas vezes tive alguns dilemas de postura, por isso não gosto de assistir a jogos na cabina de imprensa. Quando estou em um jogo, gosto de xingar, reclamar, torcer, etc. Uma vez, em 1990, eu fui assistir a um Corinthians x Atlético-MG no Pacaembu, pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro. Era meu primeiro ano como repórter da Placar, e fui cobrir o jogo da cabine. Quando o Atlético abriu o placar, fiquei muito chateado, mas consegui manter a compostura e anotei no meu bloquinho. Faltando dez minutos para o fim do jogo, o Neto empatou o jogo. Ainda consegui ficar quieto, mas tremia muito, querendo levantar e comemorar com a torcida. No final, o Neto fez mais um e virou o jogo para nós. Aí não teve jeito, né (risos)? Levantei, joguei o bloco no chão e comemorei muito, gritando. Quando fui sentar, não conseguia. Olhei para baixo e havia um “tiozinho” abraçado na minha perna comemorando (risos).

Opina Fute: Como foi para você, um corintiano, escrever o Almanaque do Palmeiras, o maior rival de seu clube?

Celso Unzelte: Me senti muito bem escrevendo o Almanaque do Palmeiras. Maior que minha paixão pelo Corinthians é minha paixão pela História. Sou um jornalista acima de tudo. Em alguns momentos, foi até mais prazeroso escrever o livro do Palmeiras que o do Corinthians. Quando o Mario Sergio Venditti me pediu para escrever com ele o livro, eu até brinquei com ele: “Eu só trabalho por prazer, então só quero fazer as derrotas” (risos). Mas sempre tive um compromisso com a verdade, acima de tudo. Já avisei o historiador do Santos de um resultado errado que ele tinha. Ele contava como uma vitória do Corinthians, mas o jogo havia empatado. Não é roubando nos números que eu vou mudar a história, por isso não tive problemas em fazer o Almanaque do Palmeiras, é história.

Opina Fute: Você já disse que alguns jogos do Palmeiras marcaram a sua vida e que seu avô era são paulino. Como você se tornou corintiano?

Celso Unzelte: Os jogos do Palmeiras me marcaram, porque eu assistia para secar (risos)! Tenho um carinho especial pelo Palmeiras, sempre o tive como um “inimigo de estimação”. Quando eu passo na frente do Parque Antártica, eu cuspo (risos). Já o São Paulo nunca me fez mal nenhum (risos). O Corinthians tem uma rivalidade histórica com o Palmeiras e não é mais do que a obrigação do corintiano torcer contra, e vice versa. Eu, por exemplo, não uso camisa verde. E tenho várias que já ganhei.

Opina Fute: Qual foi a sua maior decepção no meio do futebol?

Celso Unzelte: Meu pai sempre me dizia que eu sofria demais pelos jogadores e que tudo que eles queriam era o “bicho no bolso”. Eu nunca acreditei nisso, sempre achei uma coisa meio que inventada. Porém, uma vez ouvi essa frase de um jogador que eu gostava muito, que acho uma pessoa sensacional e que não é mercenário. Ele falou no tom de brincadeira, mas foi decepcionante para mim. Estava nos vestiários do estádio, quando o Wanderley Nogueira, da Rádio Jovem Pan, deu um fone para o Neto ouvir o gol que ele havia marcado, antes de entrar no ar. O Wanderley, como sempre fazia, perguntou: “Emocionante, não?”. O Neto respondeu: “Emocionante é o bicho no bolso”. Tive a infelicidade de ouvir essa frase do Neto, foi um grande choque para mim.

Opina Fute: Você participou da criação do Museu do Futebol, com estatísticas, dados, etc. Como o projeto foi apresentado? O que você acha do museu?

Celso Unzelte: Recebi um e-mail um dia me chamando para ir à casa do Juca Kfouri. Achei que fosse algo pessoal, mas quando cheguei lá, havia vários jornalistas esportivos. Depois que o projeto foi exposto, eu me empolguei muito com a ideia, achei tudo muito legal. Gostei muito do produto final do Museu, apesar de achar que é pirotécnico demais e falta um pouco de conteúdo. Falta um centro de pesquisa, faltam depoimentos de jogadores mais antigos que podem morrer a qualquer momento. Porém, são detalhes, gosto muito do museu.

Opina Fute: Qual é sua visão sobre os programas esportivos da televisão aberta? Você faria parte de um deles?

Celso Unzelte: Eu não gosto muito do modelo, mas não sou contra as pessoas terem opções. O que eu sou contra, é a maneira como aquilo é vendido. O que acontece ali não é um programa de esportes e, sim, um show. Sou contra as pessoas não serem avisadas de que elas estão vendo um show no qual os jornalistas se tornam artistas. Falta jornalismo. Não é o meu perfil fazer isto. Uma vez o PVC disse uma frase que eu gosto muito. Ele disse: “Para ir para a Globo, eu deixaria de ser eu”. E isso é a verdade. Algumas vezes não gosto nem de cantar os hinos no “Loucos por Futebol”, pois sinto que isso é coisa de artista. Porém, nunca vou ofender ninguém, todos têm direito de escolher.

Opina Fute: Voltando ao assunto da violência no estádio, o que você faz quanto a isso em relação ao seu filho? Você os leva para o estádio sem medo?

Celso Unzelte: É claro que isso é assustador, mas não me impede de levar meu filho. Sempre que levo ele, ele vai sem camisa de time, comigo, de carro, etc. Porém, acho que sou romântico, pois nunca me envolvi em uma briga sequer nos 30 anos que frequento estádios. O máximo que fiz, foi colocar o rádio no ouvido de um senhor santista chato, que ficava falando mal do Corinthians, quando o jogo estava 4 a 1. No momento do quinto gol, quando já havia deixado o estádio, puxei ele para perto de mim e coloquei o rádio no ouvido dele e o fiz ouvir o gol, mas não foi nada demais.

Equipe Opina Fute após a entrevista com o jornalista Celso Unzelte.

Clique aqui para ver a primeira parte da entrevista

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