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Posts Tagged ‘Mauricio Assumpção’

longe-do-gol-brunobonsantiQuando eu comecei essa coluna sobre os fatos ocorridos fora dos gramados, principalmente políticagens, eu tinha certeza que criticaria mais os dirigentes brasileiros que os estrangeiros. Evidentemente, isso vem acontecendo, tendo em vista que o Longe do gol de hoje é o primeiro a tratar de um assunto internacional.

As Eliminatórias Européias terminaram ontem. A única ausência notável é a Suécia, de Zlatan Ibrahimovic. A Alemanha, que chegou a perigar, já pode procurar hotel na África do Sul. Portugal e França, grandes ameaçados, conseguiram suas vagas na repescagem. Assim como Rússia, Grécia, Ucrânia, Eslovênia, Bósnia e Irlanda.

A expectativa de seleções com menos expressão no futebol de ir a Copa, como os eslovenos ou irlandeses, apoiava-se no sorteio, que poderia colocá-los longe de um duelo contra o time de Cristiano Ronaldo, por exemplo.

Poderia, apenas, pois Joseph Blatter, presidente da FIFA, declarou em outubro, durante visita ao Rio de Janeiro que, pela primeira vez, os sorteios terão cabeças-de-chave. Essa decisão claramente foi baseada na possibilidade, que girava em torno dos 100%, de mais de um gigante precisar passar pela repescagem, como aconteceu.

Dessa forma, Rússia, França, Grécia e Portugal não se enfrentam. Consequentemente, os outros “repescados” terão adversários mais difíceis, o que causou revolta. O técnico da Irlanda, Giovani Trapattoni, que já venceu a Champions League e chegou a dirigir a Itália na Copa-02, declarou ser a “morte do futebol”.

Evidentemente o italiano, como todo bom detentor de sangue latino, deveria estar falando mais com a emoção que com a razão, pois exagerou um pouco, mas, sem dúvida esse é um episódio lamentável. Ninguém prefere ver uma Copa do Mundo com a Eslovênia no lugar da França, mas mudar as regras da competição enquanto a mesma ocorre acaba com a credibilidade do torneio.

Para não deixar nossos conterrâneos ilesos, algo parecido já aconteceu no Brasil. Em 1987, a CBF não quis organizar o Campeonato Brasileiro. Logo, os principais clubes do país criaram o Clube dos 13 para dar continuidade a uma competição que já acontecia há 16 anos. Mudaram seu nome, chamaram-na de Copa União.

E foi um grande sucesso. Patrocínios da Coca-Cola, média de público maior que nunca e muito dinheiro entrando nos cofres dos clubes. A entidade máxima do futebol brasileiro, claro, quis sua parte e criou o módulo amarelo, com os clubes que não participavam do torneio, ou, no português claro, as equipes de segunda divisão do Brasil.

Propôs, inclusive, que o vencedor do módulo amarelo disputasse o título brasileiro contra o conquistador do módulo vermelho, o original, com os principais times do país. Evidentemente, o C13 não aceitou e mandou um representante falar com a CBF. O paladino escolhido para ser o mensageiro é bem conhecido dos vascaínos: usa óculos, é um pouco acima do peso, não tira o charuto da boca, já foi deputado e é um doce de pessoa.

O enviado, entretanto, aceitou a imposição estapafúrdia, causando muita confusão, pois obviamente, o Flamengo, campeão do módulo vermelho, não aceitou jogar contra o Sport, vencedor do amarelo.

Até hoje a CBF reconhece o time pernambucano como Campeão Brasileiro de 1987. A maior parte da crônica esportiva discorda da entidade e considera que o tetra rubro-negro foi conquistado naquele ano, assim como este blogueiro.

Em todo lugar há bons e maus dirigentes, grupo que, inclusive, costuma prevalecer sobre o primeiro. Quem deve ter ficado feliz é Ricardo Teixeira, representante da segunda categoria, pois, quando chegar à presidente da FIFA, já vai saber de cor o modus operandi da entidade.

Foi só elogiar…

Como é complicado elogiar dirigentes. Apenas alguns dias após eu ter dado parabéns a Mauricio Assumpção, presidente do Botafogo, no caso dos ingressos do clássico contra o Flamengo, acontece aquele absurdo no Engenhão.

A diretoria botafoguense pediu, inicialmente, apenas 30 mil ingressos para a partida contra o Avaí, esgotados rapidamente. Vendo que a demanda era alta, requisitou mais 5 mil, também insuficientes. Os outros 5 mil que ainda cabem no Engenhão foram vendidos, mas teria sido necessário informar o Corpo de Bombeiros com antecedência para o clube poder usar a capacidade máxima do estádio, que é de 40 mil pessoas.

Dessa forma, as autoridades impediram a entrada do público excedente, mesmo com ingresso nas mãos, causando muita confusão, inclusive, envolvendo crianças.

O episódio foi lamentável, mas, pelo menos, não resultou de cafajestagem, mas sim de incompetência, e isso se conserta.

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longe-do-gol-brunobonsantiNo dia 29 de maio deste ano, os presidentes dos quatro grandes clubes paulistas reuniram-se no Hotel Recanto dos Alvinegros, anexo ao CT Rei Pelé em Santos. A idéia era fazer a reunião que daria o pontapé inicial a uma organização chamada G4, na qual Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras uniriam forças para fortalecer a marca dos quatro times.  A reunião foi um sucesso e seria repetida outras vezes, havendo um revezamento de anfitriões.

O problema é que essa ótima idéia, que consistia em melhorar os acordos de TV, trocar informações administrativas e de marketing, valorizar os clássicos paulistas e até, pasmem, determinar um teto salarial para jogadores e treinadores, morreu pouco tempo após nascer.

Houve outra reunião, na semana passada, dessa vez promovida por Luiz Gonzaga Belluzzo, e tudo corria bem, até quinta-feira, quando o presidente palmeirense criticou o santista, usando, inclusive, palavras como mesquinho e incorreto. Segundo o economista, Marcelo Teixeira havia prometido liberar mil ingressos para o clássico entre Santos e Palmeiras na capital. O fato é que apenas 500 foram liberados, o que desencadeou a fúria do alviverde.

E há outras brigas internas também. Andres Sanchez,  depois de admitir voltar a jogar no Morumbi na primeira reunião, reiterou a antiga posição de não usar o estádio são paulino enquanto ele for presidente em declaração feita na festa de 99 anos do Corinthians. O presidente alvinegro está entrando por um caminho, no qual muitas coisas interessantes ao clube não acontecerão enquanto ele sentar na cadeira presidencial.

Essa atitude infantil e amadora prejudica tanto o São Paulo, que perde seu principal inquilino, quanto o Corinthians que, caso chegue à final da Libertadores, será obrigado a jogar para 30 mil pessoas no Pacaembu – isso se a Conmembol aceitar – ou em algum estádio interiorano.

Evidentemente ninguém pode cobrar do torcedor que ele se una aos seus rivais, embora o melhor fosse que todos soubessem as diferenças entre rivalidade e inimizade. Entretanto, os dirigentes devem comandar seus clubes com a razão, e não com o coração. Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos devem brigar apenas dentro do campo, pois fora dele é imprescindível que os quatro trabalhem juntos para melhorar primeiro o futebol paulista, e depois o brasileiro. Esse amadorismo é justamente o que impede o nosso futebol de atingir o grande potencial que tem.

Em terra de cego…

Falando em amadorismo, a diretoria do Internacional demitiu o técnico Tite para contratar Mario Sérgio. Eu não sou dos que acham que o colorado é a grande decepção do ano. Esse posto será eternamente do Fluminense. O time gaúcho venceu o Campeonato Gaúcho invicto, chegou à final da Copa do Brasil e saiu das quatro primeiras colocações apenas na última rodada. Vencer campeonatos é exceção e não pode ser cobrado de nenhum time.

Fernando Carvalho já havia declarado que não conhece nenhum caso em que a troca de treinadores tenha sido preponderante para a conquista do título, mas agora, faltando apenas 11 rodadas, traz um treinador, que entende muito de futebol, mas nunca fez uma campanha digna de registro nos pontos corridos.

Ele mudou de idéia e acha que essa mudança pode levar o colorado ao tetracampeonato? Ou simplesmente já desistiu? Na verdade é simplesmente sábio ditado. A diretoria do Internacional enxerga um pouco melhor que as outras, fato que, no Brasil, não quer dizer muita coisa.

Enquanto isso..

Por outro lado, palmas a Mauricio Assumpção, presidente do Botafogo.  Ele havia combinado com o seu equivalente na gávea, Delair Dumbrosk, que dividiria a carga de ingressos no clássico entre as equipes no Engenhão, caso ela fosse igual também no Maracanã, como aconteceu. O conselho do glorioso vetou a igualdade dos ingressos, mas Assumpção bateu o pé e cumprirá sua promessa. Por essa, e por outras, que eu torço para que o Botafogo não caia.

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