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Posts Tagged ‘São Paulo’

Tenho na parede do meu quarto três pôsteres do meu time do coração. São três títulos conquistados e que ficarão eternamente na minha memória – e não na parede, claro. São retratos de uma simbologia do futebol e que este ano está sendo maltratada pelos times que disputam o título do Brasileirão. Flamengo, Internacional, Palmeiras e São Paulo – na ordem de classificação e, talvez, favoritismo – enganam bem e escancaram a falta de nível técnico do Campeonato Brasileiro, que pouco a pouco vai se confundindo com emoção. O fato é que nenhum time quer ter seu pôster pronto.

O Flamengo venceu o Corinthians. Ok. O Alvinegro paulista jogava sem vontade e, sem lero-lero, sabemos que a vontade corintiana estava em baixa. Ninguém em São Paulo duvida que o time do Parque São Jorge preferisse perder a partida e conseguir ser o único paulista com um título no final da temporada. Sem nada – ou quase nada – a ver com a história toda, o Mengão saiu com os três pontos de Campinas. Assumiu a liderança e pegará o Grêmio na última rodada. Difícil? Não.

Não será tão difícil assim para o Rubro-Negro enfrentar o Grêmio. Pois maior do que a vontade corintiana de ver seus rivais na seca, é a gremista de ver o Internacional sem o Brasileiro no ano do centenário – que, pasmem, poderá terminar com apenas o Gaúcho conquistado. O Colorado ressurgiu das cinzas e figura na vice-liderança. Não fossem tropeços bobos ao longo do campeonato, seria campeão com antecedência. Hoje, se divide entre a rivalidade e a chance do título. O coração vermelho de Porto Alegre bate, acreditem, um pouquinho mais tricolor.

Quem também ressurge após vacilos inexplicáveis é o Palmeiras. A equipe de Muricy Ramalho, que para muitos e muitos já estava morta, poderia ter ficado com a ponta da tabela ao final desta rodada. Não ficou e, por isso, tem poucas chances de ser campeão. A vaga na Libertadores ainda não está assegurada, mas está bem próxima. Ao bater o Atlético Mineiro, o Verdão parece ter reconquistado a confiança. Pena que enfrentará um desesperado Botafogo, que para não retornar à Série B – seria o segundo rebaixamento em seis anos – precisa da vitória no próximo domingo. É, talvez, o confronto mais difícil dos postulantes ao título. A carta verde, acredito, está fora do baralho.

Quem também está fora é a carta tricolor. O São Paulo tropeçou mais uma vez em sua incompetência – e na competência do Goiás, é bem verdade – e deixou o posto de “o hepta virá neste domingo” para assumir o de “Libertadores será o máximo”. Pela primeira vez Jason morre. Morre porque os jogadores estão apáticos, tristes e, acima de tudo, indisciplinados. O Tricolor paga com derrotas a falta de cabeça de seus atletas, que somam cartões atrás de cartões. Ricardo Gomes fez um belo trabalho, mas ao que parece morrerá na praia. Nada de desesperador para um time que dominou o país nos últimos três anos.

Na ponta de baixo da tabela, destaco outro Tricolor, o das Laranjeiras. Podem dizer que queimei minha língua, e digo que a queimei com orgulho. Desde a volta de Fred estava cravado que o Fluminense não cairia. É elenco para estar no topo. Pena que não soube jogar em boa parte do campeonato. O rebaixamento é passado e torço muito pelo título da Sul-Americana.

Cutucadas

– Obrigado Felipe, goleiro do Corinthians, por protestar de forma tão legal contra a situação da arbitragem brasileira. Precisamos de providências urgentes!

Dorival Júnior saiu do Vasco. O cruzmaltino parece não ter aprendido com alguns rivais como sair bem da Série B

– A CBF colocou Diego Souza e Cleiton Xavier como meias-direita na votação da Seleção do Brasileiro. Não sabia que eles jogavam um em cima do outro no Palmeiras…

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Bruno – Flamengo

Com bela defesas, o arqueiro rubro-negro conseguiu evitar as chances de ataque do Náutico, em pleno Aflitos, e saiu de campo sem ter que buscar a bola em suas redes.

Leonardo Moura – Flamengo

O lateral-direito está voltando a jogar o seu bom futebol, e o jogo contra o Timbú foi a prova disso. Com muita velocidade, infernizou o lado esquerdo da zaga pernambucana.

Émerson – Avaí

O zagueirão avaiano mostrou segurança diante do ataque corinthiano, não deixando Ronaldo levar perigo ao goleiro Eduardo Martini.

Digão – Fluminense

Mais uma vez o jovem zagueiro Tricolor aparece por aqui. Com muita raça e força física, o jogador ganhou a maioria das bolas que dividiu, tanto por baixo quanto pelo alto.

Kléber – Internacional

O lateral-esquerdo não se incomodou de jogar contra o seu ex-time e fez uma bela partida no Beira-Rio, apoiando o ataque sem deixar um grande corredor em seu setor.

Adílson – Grêmio

O jovem volante gremista sentiu-se à vontade no Mineirão e conseguiu ser um primeiro bloqueio defensivo eficiente diante do ataque cruzeirense.

Léo Gago – Avaí

O meiocampista avaiano é uma das principais revelações do campeonato e diante do Corinthians fez uma bela partida. Além de ter sido o principal desarmador do jogo, ainda anotou um golaço.

Hernanes – São Paulo

O meiocampista comandou o Tricolor no duelo contra o Vitória. Impôs seu ritmo em campo e foi essencial no segundo gol, quando roubou a bola e cruzou para Hugo completar às redes.

Maicon – Fluminense

A jovem promessa Tricolor mais uma vez foi crucial para a vitória do seu time. Com habilidade e muita velocidade, deu trabalho à defesa adversária e ainda deixou o seu tento.

Val Baiano – Barueri

O atacante simplesmente decidiu a partida com seus três gols, não dando chances ao ameaçado Botafogo.

Adriano – Flamengo

O Imperador foi o melhor em campo nos Aflitos, chamando a responsabilidade, trombando pela bola, chutando ao gol sempre que tinha a oportunidade, e ainda deixando o seu gol.

Técnico: Luís Carlos Goiano – Barueri

Montou bem sua equipe com trêz zagueiros e os velozes Bruno Ribeiro e Márcio Careca nas alas. Não deu chances ao Botafogo, que nem ameaçou o goleiro Renê, e conseguiu bela vitória por 3 a 0.

Craque da rodada

Val Baiano - Barueri

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Bruno – Flamengo

Simplesmente pegou dois pênaltis no duelo contra o Santos, ambos de Ganso, e garantiu a vitória rubro-negra.

Figueroa – Palmeiras

O chileno já está firmado na lateral-direita do alviverde. Com uma bela batida na bola, o jogador cruzou duas vezes para os gols que deram o empate no clássico contra o Corinthians.

Miranda – São Paulo

Depois de atuações recentes abaixo do seu potencial, o zagueiro voltou a jogar bem e mostrar segurança no setor defensivo do Tricolor, sendo um dos principais responsáveis por parar o ataque do Barueri.

Juninho – Botafogo

Além de ter marcado mais um de seus gols de falta, em bela cobrança, o zagueiro fez bem sua função comandando a zaga do Fogão.

Eltinho – Avaí

Um dos principais jogadores do elenco avaiano, o lateral-esquerdo deu trabalho ao lado direito da defesa do Furacão, além de ter participado com efetividade na defesa.

Adílson – Grêmio

Apesar de ter perdido por 2 a 0 para o Santo André, o jovem volante Tricolor teve bela atuação, mostrando que deverá ter futuro promissor.

Ricardinho – Atlético Mineiro

O pentacampeão mundial comandou o meio do campo do Galo na bela vitória sobre o Goiás, criando as melhores jogadas e ainda deixando o seu nas redes de Harlei.

Defederico – Corinthians

Mesmo ainda sem mostrar o futebol esperado em sua chegada, o argentino conseguiu se destacar no clássico contra o Palmeiras, sendo o responsável pelos passes que deixaram Jorge Henrique e Ronaldo na cara do gol.

Marcelinho Paraíba – Coritiba

Principal jogador do Coxa, mais uma vez chamou a responsabilidade para levar o time à vitória e conseguiu. Infernizou a defesa do Vitória e ainda deu a assistência para o gol de Pereira.

William – Avaí

O atacante chegou ao seu oitavo gol no Brasileirão em grande estilo, com uma bela bicicleta que ajudou o Avaí a bater o Atlético Paranaense.

Fred – Fluminense

O atacante não se importou de estar enfrentando seu ex-time e foi o principal nome em campo, balançando as redes duas vezes.

Técnico: Cuca – Fluminense

Depois de ver sua equipe sair perdendo por 2 a 0, o treinador conseguiu mudar o rumo do jogo durante o intervalo com as entradas de Tartá e Digão e a alteração do 4-4-2 para o 3-5-2, que levou o Tricolor à virada e aos três pontos.

Craque da rodada

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Bruno - Flamengo

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Ao deixar o São Paulo após três Campeonatos Brasileiros conquistados no comando do Tricolor, o treinador Muricy Ramalho foi tirar férias (merecidas) em sua fazenda no interior paulista. Neste período o técnico apreciou, como se aprecia um menú em restaurante, as propostas recebidos pelos clubes do Brasil que necessitavam de um treinador – seja por estarem sem um ou por não confiarem em seus respectivos. Primeiro se falou em Palmeiras, depois em Internacional e finalmente em Santos. Nenhum dos três pareceu agradar e a pedida salarial de Muricy assustava. Em reviravolta sensacional, do nada, o Verdão foi o escolhido.

O momento do alviverde paulista não poderia ser melhor: entre os líderes do Brasileiro a equipe vinha em uma bela ascendente sobre o comando de Jorginho e, para melhorar, havia ganho o último jogo sob o comando do interino, um lindo 3×0 sobre o maior rival, o Corinthians, com três gols de Obina – sim, Obina. Mas Muricy não soube aproveitar o bom momento do clube e hoje, apesar de se manter na liderança, já periga deixar a ponta para times que vêm melhores no torneio como Flamengo, Atlético Mineiro ou o próprio Inter que outrora teria sido “desprezado” pelo treinador.

Depois de perder para Náutico, Flamengo e Santo André em sequência Muricy vê seu trabalho sendo colocado em xeque no Parque Antártica pela primeira vez. As escalações mirabolantes – que já incluíram o atacante Daniel Lovinho na ala direita – e o mau humor crônico para explicar derrotas tem frustrado torcedores que desde 1994 não assistem o Verdão faturar o Brasileiro. E o pior de tudo é que a equipe vem apresentando bem antes das três derrotas um futebol lastimável. Jogava mal e ganhava, contando com sorte ou ajuda de juízes. Hoje joga mal e perde. A situação fica complicada.

Se o elenco do Palmeiras não é o melhor deste campeonato, está com certeza entre os mais qualificados. A desculpa não cola quando usada. O time que entra em campo não tem padrão e isso não depende da qualidade deste ou daquele jogador – apesar de isso fazer, sim, certa diferença. Muricy Ramalho está em uma prova de fogo. Poderá acabar coberto de amendoim.

Cutucadas

– O nível técnico não é dos melhores, mas a emoção desde Brasileiro é alta

– Quando eu penso que o buraco do Fluminense está fundo, o time vai lá e se afunda mais

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O objetivo é dar emoção para todos os jogos disputados, da primeira à última rodada. Ok. Outro objetivo é premiar o time mais organizado e estruturado. Ok. Nos últimos anos o melhor e mais organizado tem vencido, premiando e consagrando a fórmula dos pontos corridos. Nada de errado até aí. Desde 2003 muito se fala sobre uma evolução do futebol brasileiro depois que o Brasileirão passou a ser disputados em turno e returno, com o campeão sendo o time que mais somou pontos em todos os jogos.  Desde então tivemos seis torneios disputados – excluindo, é claro, o que ainda está vivo – e tivemos quatro campeões: Cruzeiro, Santos e Corinthians levaram um troféu cada, enquanto o São Paulo faturou nada menos do que três. O problema não está aí.

Na última semana a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do Brasileiro enviou carta para todos os times que disputam a Série A propondo a extinção dos pontos corridos e a volta dos mata-matas, em ato que muitos especialistas consideram como uma regressão. Volto a insistir que meu problema não está na fórmula de disputa, mas sim no nível técnico que vem sendo apresentado. O Brasileirão 2009 tem sido um prato cheio para aqueles que defendem a volta dos playoffs no Nacional. O nível de disputa tem sido horripilante e só não temos um campeão definido já neste momento porque os times que tiveram a chance de abocanhar o título falharam vergonhosamente.

O Palmeiras de Muricy Ramalho parecia caminhar sossegado para conseguir seu pentacampeonato e sair de uma fila que já dura desde 1994. Mas o time tem jogado mal e abusado da falta de competência dos adversários pelo caneco, que tem vacilado nas rodadas que o Verdão perde. A sonora derrota para o Flamengo, em pleno Parque Antártica, acendo uma luz vermelha e intensa na Academia. Nem mesmo jogando em casa, onde se deu bem até aqui, o alviverde paulista consegue impor se jogo. Um risco desnecessário e que antes não existia tem ficado cada vez mais real.

Pior – e muito – do que o Palmeiras é o Internacional, talvez a equipe mais cornetada por esse que aqui vos fala. Com um dos melhores elencos do Brasil o Colorado tem feito um esforço sobrenatural para aumentar para 31 anos o tempo sem vencer o Brasileiro. O tropeço do Verdão diante do Fla teria sido perfeito se o Inter não tivesse tomado DOIS gols de um ZAGUEIRO do Fluminense, PIOR time do Campeonato. Sendo que um dos gols do zagueirão Gum aconteceu nos minutos finais da partida, que terminou empatada. O problema dos gaúchos não parece mesmo ser o Tite, treinador demitido do clube. A chegada de Mário Sérgio manteve os jogadores atuando com a mesma postura anterior: com medo de ser feliz.

Não menos pior vêm alguns outros times como o Corinthians, que ainda não decidiu se está ou não de férias ou o São Paulo, que na soberba de se achar imortal tem caído pelas tabelas com péssimas atuações. Podemos ainda somar a péssima campanha do Atlético Mineiro na parte intermediária do torneio e o medo do Grêmio de ganhar fora de casa. O próprio Flamengo, que muitos citam como exemplo de superação, perdeu a chance de ser líder absoluto hoje quando perdeu jogos risíveis no começo do Brasileiro. São erros de todas as partes que fazem com que o Campeonato Brasileiro seja decidido com nivelação por baixo. Ganhará o que errar menos e não o que acertar mais.

Cutucadas

– Ponto forte da equipe nos últimos anos, a zaga do São Paulo foi destruída pelo esquema de Ricardo Gomes

Vanderlei Luxemburgo, mesmo longe dos holofotes, tem mostrado cada vez mais que não é mais o técnico prestigiado de outros tempos: o Santos não sai mais do lugar

– Simplesmente bizarro o pênalti batido por Vágner Love. As crianças que nadavam na piscina do Palestra devem ter se assustado. Eu, como moro perto do estádio, vou ver se a janela do meu apartamento segue intacta. Que fase…

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6Há exatos 32 anos, o Sport Club Corinthians Paulista se sagrava Campeão Paulista. Porém, aquele não foi um título qualquer. Aquilo era a queda do maior jejum da história do clube, foi o fim de um período no qual os corintianos eram gozados por todos, já que, durante 22 anos, 8 meses e 6 dias o Corinthians não conquistou um Campeonato Paulista sequer. O título veio de maneira sofrida, como não podia ter deixado de ser.

O torneio daquele ano era disputado em três turnos. No primeiro, o campeão foi o Botafogo de Ribeirão Preto, time que, naquele ano, era liderado por um dos maiores craques da história do Timão, o doutor Sócrates. Porém, quando viu o Botafogo vencer a primeira parcela, para o Corinthians ainda ter chance de título, restava ao time vencer a segundo parcela, para disputar o terceiro e decisivo turno da competição. E foi o que aconteceu, quando o Coringão venceu 13 dos 18 jogos, classificando-se.

O terceiro turno seria disputado pelos oito clubes mais bem colocados nos dois turnos. Estes oito clubes foram divididos em dois grupos, mas cada equipe jogaria contra as outras sete e os dois primeiros colocados disputariam uma final em três partidas. O grupo 1 foi formado por Botafogo, Ponte Preta, Palmeiras e Santos, enquanto o grupo 2 contava com Corinthians, São Paulo, Portuguesa e Guarani.

A primeira partida do Corinthians naquele turno foi contra o Santos, na Vila Belmiro, e o resultado foi um empate em 2 a 2. No jogo seguinte, o alvinegro foi a Campinas enfrentar a Ponte Preta, que já havia o vencido duas vezes na competição: 4 a 0 no primeiro turno e 2 a 1 no segundo. No terceiro confronto, deu Ponte de novo: 1 a 0. O próximo adversário foi o arquirrival Palmeiras, e foi neste jogo que o Coringão conseguiu sua primeira vitória no terceiro turno: 2 a 0. Na partida seguinte, outro time de Campinas e outra derrota: 1 a 0 para o Guarani.

Com as duas derrotas e um empate, restava ao Timão vencer os três jogos restantes para poder ainda avançar às finais. E foi o que aconteceu, quando o time venceu o Botafogo, de Sócrates por 1 a 0, a Portuguesa pelo mesmo placar e o São Paulo, do artilheiro daquele campeonato, Serginho Chulapa, por 2 a 1. Com as três vitórias, o Corinthians se classificou, como primeiro de seu grupo, para as finais, onde enfrentaria a Ponte Preta, invicta no terceiro turno, com 5 vitórias e 2 empates, e que havia batido o time da capital nas três vezes que eles se encontraram naquele campeonato.

A decisão não poderia ocorrer nem no Pacaembu, estádio onde o Corinthians mandava seus jogos, e nem no Moisés Lucarelli, estádio pontepretano. O estádio escolhido para abrigar os três jogos decisivos foi o Morumbi, estádio do São Paulo. Para os corintianos, a decisão foi boa, já que o time havia perdido para Ponte Preta nos outros dois estádios nos três turnos.

Basílio comemora o gol da redenção alvinegra

O primeiro jogo ocorreu no dia 5 de outubro de 1977. O Corinthians havia treinado forte na terça feira, o que não era comum quando o time atuaria na quarta. A Ponte Preta entrou em campo disposta a segurar a pressão do Timão nos primeiros minutos de jogo, fazendo com que a torcida passasse a jogar contra seu próprio time. Entretanto, em um contra ataque, o Corinthians abriu o placar com Palhinha. O jogador havia ficado cara a cara com Carlos, goleiro da Ponte. Quando bateu no gol, o arqueiro fez a defesa e a bola voltou em seu nariz, quebrando-o, mas morrendo no fundo do gol. Ao sofrer o gol, a Ponte teve de sair para o ataque, mas a defesa do Coringão foi forte e soube segurar o resultado.

Com a vitória, os torcedores do Corinthians ficaram extasiados e já tinham certeza que o título era questão de dias. Por isso, no dia 9 de outubro, os torcedores superlotaram o Morumbi, para ver o que poderia ser o jogo do título. Naquele dia, ocorreu o recorde de torcedores no local. Para ilustrar o que foi aquilo, citarei aqui um trecho do livro “Corinthians, O Time da Fiel”, de Orlando Duarte e João Bosco Tureta:

O que se viu em 9 de outubro jamais será visto novamente no futebol brasileiro. Era gente aportando de todas as partes do Brasil, cobrindo o Morumbi de preto e branco. Desde a véspera, o entorno do estádio parecia um acampamento cigano, com a fiel torcida esperando o momento de comprar o ingresso. Resultado: 138.032 pagantes (mais 8.050 crianças, que não pagaram ingresso).”

O jogo, entretanto, não foi tão bom para os corintianos. E começou na concentração, quando Oswaldo Brandão, treinador do alvinegro paulista, anunciou que Vaguinho iria para o banco e daria lugar a Palhinha, opção do treinador para segurar mais o jogo, sem dar espaços para a Ponte Preta. Com isso, Vaguinho ficou irado e ameaçou sair da concentração e abandonar o time, mas foi convencido por sua esposa a ficar. No jogo, Palhinha sentiu dores na coxa aos 25 minutos do primeiro tempo e deu lugar ao próprio Vaguinho, que acabou marcando o gol do Corinthians no jogo, aos 42 minutos do primeiro tempo. O gol parecia dar o título ao Coringão, mas não foi o que aconteceu já que, no segundo tempo, a Ponte virou o jogo, com gols de Dicá e Rui Rei, calando o maior público da história da cidade de São Paulo.

Entretanto, ainda havia a chance do título. E ele estava por vir no dia 13 de outubro. Para aquele jogo, não haveriam grandes surpresas, já que as equipes já haviam se enfrentado por cinco vezes só naquele Paulistão. A grande diferença daquele dia seria um certo jogador. Um jogador que era discreto, jogava com a camisa 8 e se tornaria ídolo de toda a Fiel Torcida naquele dia. Basílio, o Pé-de-Anjo. Reza a lenda que o treinador, Oswaldo Brandão, falou para Basílio que havia sonhado com ele marcando aquele gol, o gol da redenção. Muitos dizem que o técnico falou isso para todos os jogadores de linha, apenas querendo incentivar os seus comandados.

Diversos torcedores atravessaram o campo de joelhos e pagaram promessas em campo

O público daquela noite de quinta feira, até por ser uma noite de quinta feira, não foi tão grande quanto o do domingo anterior. Ao todo, mais de 86 mil pessoas pagaram ingresso, ou seja, havia quase 90 mil pessoas no estádio. O jogo começou muito nervoso, mas com o Timão pressionando e colocando uma bola na trave logo aos 4 minutos. Logo em seguida, Basílio obrigou Carlos a fazer uma grande defesa. Aos 16 minutos, o atacante pontepretano Rui Rei pediu falta e colocou a mão na bola. O juiz, prontamente, deu cartão amarelo ao jogador, que passou a reclamar muito, xingar o árbitro e gesticular. Com isso, ficou fácil para o árbitro tirar o cartão vermelho e mostrar para o jogador pontepretano.

A expulsão aliviou muito os torcedores do Corinthians, que temiam o que o centroavante seria capaz de fazer. Com isso, as atenções foram voltadas aos atacantes do Timão, que levavam perigo ao gol da Ponte. O time de Campinas só levou perigo ao gol corintiano aos 25 minutos. Geraldão também quase marcou no primeiro tempo, mas o placar não foi movimentado antes do intervalo. Depois de sofrer com os ataques da Ponte Preta, Oswaldo Brandão mandou o time para o ataque e, aos 36 minutos, Zé Maria fez um cruzamento e Ângelo cortou com o braço. Falta assinalada por Dulcídio. O próprio Zé Maria cruzou, Basílio raspa na bola de cabeça e ela vai parar nos pés de Vaguinho que, de bico, chutou forte e a bola explodiu no travessão, quicando no chão e sobrando para Wladimir, o capitão alvinegro, que cabeceou forte, mas a bola bateu no zagueiro Oscar, em cima da linha, voltando para Basílio fuzilar de pé direito e marcar o gol da redenção alvinegra.

Aquele gol faz, até hoje, com que todos os corintianos comemorem, aquele gol fez muitas pessoas verem o que o Corinthians significa. A partida teve mais algumas coisas, como a expulsão de Geraldão, do Corinthians e Oscar, da Ponte, mas nada tem tanta importância como aquele gol de Basílio, o verdadeiro gol da redenção.

Ficha técnica do jogo do título:

Data: 13/10/1977, 21h00

Local: Morumbi

Público pagante: 86.677

Renda: Rr$ 3.325.470,00

Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia

Ponte Preta 0 x 1 Corinthians

Ponte Preta: Carlos, Jair, Oscar, Polozzi e Ângelo; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta. Técnico: Zé Duarte

Corinthians: Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Romeu. Técnico: Oswaldo Brandão

Gol: Basílio, 37 do segundo tempo.

Campanha do Corinthians no Paulistão de 1977:

48 jogos, 30 vitórias, 6 empates e 12 derrotas, com 73 gols pró e 38 contra.

Em pé: Zé Maria, Tobias, Moisés, Ruço, Ademir e Wladimir. Agachados: Vaguinho, Basílio, Geraldão, Luciano e Romeu.

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Carini – Atlético Mineiro

O arqueiro uruguaio teve bela atuação no Mineirão, inclusive defendendo pênalti cobrado pelo veterano Basílio.

Nei – Atlético Paranaense

Mais uma vez na Seleção da Rodada, o lateral é uma das principais armas do Furacão. Diante do Corinthians, foi firme na marcação e, como sempre, apoiou bem o ataque.

Pereira – Coritiba

O zagueiro pode não ser um primor na técnica, mas mostra raça e, contra o Internacional, teve essa característica como sua principal qualidade.

Danilo – Palmeiras

Pela segunda semana seguida, o zagueiro aparece por aqui. Desta vez não marcou gol nem deu assistência, mas atuou bem e mais uma vez salvou um gol feito, em tentativa de Madson.

Fininho – Sport

O ex-corintiano só jogou devido a ausência do titular Dutra, mas conseguiu mostrar futebol para sair do banco e estrelar a Seleção da Rodada. Além de dar trabalho para o lado direito gremista, anotou seu gol.

Valência – Atlético Paranaense

O colombiano tomou conta do meio de campo no Pacaembu. Com marcação forte, foi essencial para o setor defensivo paranaense.

Correa – Atlético Mineiro

O jogador parece ter caído como uma luva no elenco do Galo. Com boa qualidade técnica, e chute na bola diferenciado, vive assustando as defesas rivais. Contra o Barueri, fez o segundo do time em bela cobrança de falta.

Paulo Baier – Atlético Paranaense

O incansável atleta sempre se destaca em jogos de maior importância, e principalmente nos que envolvem os rivais do seu ex-time Palmeiras. No sábado, calou o Pacaembu logo no começo de partida.

Diego Souza – Palmeiras

Tido por muitos como o craque da competição, o camisa 7 mais uma vez mostrou a razão de ser convocado por Dunga. Foi o principal nome alviverde, empatando a partida, dando assistência para outro e iniciando a bela jogada do terceiro gol.

Adriano – Flamengo

Simplesmente resolveu o clássico Fla-Flu para os rubro-negros. Dois gols em um Maracanã lotado.

André Lima – Botafogo

O atacante se sente bem com a camisa do Fogão, e surpreendeu junto com seu time neste domingo. Em pleno Serra Dourada, ajudou na construção da vitória, dando trabalho à defesa adversária e anotando um belo gol.

Técnico: Ricardo Gomes – São Paulo

O treinador Tricolor continua calando a boca dos que criticaram sua contratação. Mesmo com desvantagem numérica de jogadores, seu time mostrou força suficiente para bater o Náutico em pleno Aflitos. Mais uma vez, acertou em substituições.

Craque da rodada

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Adriano - Flamengo

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